Cia Baobá Minas lança livro que destaca ancestralidade, tradição oral e a dança afro-brasileira
Crédito: Arquivo pessoal/ Júnia Bertolino- Mestre de Dança
De autoria de Júnia Bertolino, livro conta também um pouco da história da companhia que completa 24 anos. Lançamento contará também com espetáculos de dança, roda de conversa e exibição de vídeo
A Cia Baobá Minas recebe convidados para o lançamento do seu livro: Performance, ancestralidade e ritualidade: corporeidades negras da Cia Baobá Minas, no próximo dia 08 de abril, às 19 horas, no Teatro Marília, em Belo Horizonte. De autoria da jornalista, antropóloga, arte-educadora e mestra de dança, Júnia Bertolino, o livro reúne conceitos sobre ancestralidade, tradição oral e a dança afro-brasileira, além de destacar grupos de dança na cidade, Mestres e Mestras da dança afro em BH, como Marlene Silva, Evandro Passos, Joao Bosco, Carlos Afro, Willian Silva, Ronaldo Thiago e Mamour Ba, entre outros.
Traz também reflexões sobre a dança afro-brasileira, sua importância para educadores, alunos e bailarinos para fortalecer a cultura negra e as Leis 10.639/2008 e 11.645/2013, que determinam a obrigatoriedade do ensino da história da África e afro-brasileira e indígena nas escolas. A publicação reúne ainda fotos de figurino, poemas e cantos utilizados na trajetória da companhia. O evento – cuja entrada é franca e os ingressos podem ser retirados pelo Sympla, ou na bilheteria do Teatro Marília -, contará com uma roda de conversa e exibição de vídeo.
O lançamento do livro integra a programação dos 24 anos da Cia Baobá Minas, que serão celebrados também com a performance “Saudação à Ancestralidade”, no Projeto Terça da Dança, do Centro de Referência da Dança de Belo Horizonte – CRDançaBH. De acordo com Júnia Bertolino, fundadora, diretora e coreógrafa da companhia, a performance é uma homenagem ao feminino e à natureza, referenciando a terra, a água, o fogo e o ar, bem como saudando a mãe África, Minas e o Brasil. “A partir de movimentos lentos, ondulados e aspirais, a Cia Baobá Minas vem com narrativas negras e escrevivências, como nos ensina a renomada escritora Conceição Evaristo, que vem inspirando o grupo em diversas apresentações artísticas com vários poemas, sobretudo o poema Vozes Mulheres. A performance traz também canto africano e dança guerreira”, comenta.
Além da participação da Cia Baobá Minas, o evento receberá mestres da cultura popular e grupos culturais como Associação Odum Orixá, Cia Primitiva de Arte Negra e Carlos Afro & Cia. “Será um momento marcante para a Cia Baobá Minas, onde o encontro com outros grupos e convidados ressalta a importância da dança afro na cidade, sobretudo o aquilombamento, troca e resistência dos grupos, artistas, professores e mestres (as)”, enfatiza Júnia Bertolino.
Ela explica que o livro, publicado pela editora Mazza, integra o projeto “Cultura na Cidade” e as “Ações Estendidas do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN BH”, em parceria cultural com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais, através de recursos do Fundo Especial do Ministério Público – FUNEMP, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura.
A Secretária Municipal de Cultura, Eliane Parreiras, ressalta a importância da Cia. Baobá Minas e a parceria com o Poder Público. “Celebramos os 24 anos da Cia. Baobá Minas, referência na valorização da cultura afro-brasileira em Belo Horizonte, presente em diversas ações da Prefeitura, como o Festival de Arte Negra e o Prêmio Mestras e Mestres da Cultura Popular. O livro ´Performance, Ancestralidade e Ritualidade: corporeidades negras da Cia. Baobá Minas´ é fruto da parceria com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais, um grande aliado na promoção da diversidade cultural e na valorização do patrimônio imaterial, pilares da política cultural da Prefeitura de Belo Horizonte”.
SOBRE A CIA BAOBÁ MINAS – Criada 1999, busca abordar o cotidiano do negro, a cultura, ritmos, poesia e dança afro-brasileira do povo negro no intuito de trazer ao público uma imagem do negro em toda sua beleza e altivez. Além disso, mostrar a cultura popular das diversas comunidades do território nacional ressaltando valores e temáticas importantes nesta cultura como a oralidade, memória, ancestralidade e identidade, sobretudo notório saber dos mestres populares e a valorização da cultura de matriz africana.
PERFORMANCE: SAUDAÇÃO À ANCESTRALIDADE – CIA BAOBÁ MINAS
Direção: Júnia Bertolino
Elenco: Marlene Ferreira, Ingrid Reis, Maria Amélia Rosa Maria da penha de Sousa, Rafael Gonçalves Maciel, Emilly Anne da Silva, Rodrigo César Ramos, Dandara Bertolino Santos, Gabriel Cardoso Gutierre, Shirleine Gomes Brandão, Guilherme Henrique da cunha Ramos, Jahi Amani e Júnia Bertolino.
Júnia Bertolino é fundadora da Cia Baobá, além de ser responsável pela direção e coreografia. A companhia surgiu para resgatar no cenário das artes cênicas de Belo Horizonte a representação e valorização das matrizes africanas presentes na identidade do povo brasileiro, retratados através da dança, música, poesia e teatro, a partir de pesquisas sobre a presença dessas matrizes no caldeirão da cultura nacional.
A Companhia completa 24 anos de trajetória com diversos espetáculos dirigidos e coreografados por Júnia Bertolino. O grupo começou encenando as performances: Fertilidade e Canto de Amani-homenagens aos filhos da coreógrafa: Jahi Amani (dignidade e paz) e Dandara (rainha negra e mulher guerreira). Dentre os trabalhos temos Quebrando o Silêncio, “Ancestralidade: Herança do Corpo”, Corporeidades Negras e Mulheres de Baobá. Outros espetáculos: África, Minas e Brasil, Diálogos Femininos e Identidade com Júnia Bertolino e Cia Baobá Minas, Raízes Negras, Corporeiades Negras e Saudação à Ancestralidade. Atualmente segue com diversas ações na cidade em Centros culturais e escolas públicas e fóruns.
SOBRE DIRETORA E FUNDADORA DA CIA BAOBÁ MINAS, AUTORA DO LIVRO – Júnia Bertolino é diretora e coreógrafa da Cia Baobá. Também é capoeirista pela Associação Cultural Eu Sou Angoleiro a partir da formação do Mestre João Bosco, que também é um dos seus mestres de dança afro em Belo Horizonte, juntamente com Evandro Passos, Carlinhos Afro e Marlene Silva. Em 2024 ganhou título de Mestra de cultura popular pela FMC/SMC de Belo Horizonte/MG. A mentora da Cia Baobá Minas tem mais de 30 anos de dança, atuando no cenário nacional, também com experiência em países como Itália, Continente africano (Senegal e Guiné Bissau),Índia, Alemanha, Espanha Bélgica, França e Inglaterra, a bailarina, atriz e capoeirista Júnia Bertolino utiliza o aprendizado da cultura popular e da academia (sendo jornalista e antropóloga), a partir das diversas pesquisas que passam pelo congado, samba, coco, capoeira, soul, dança contemporânea e a religiosidade de matriz africana. O trabalho utiliza (sons musicais e corporais) acompanhado do legado ancestral que permeia a poesia, o teatro, a música e a dança, para dar voz às vivências, desafios e vitórias que experimenta o universo feminino, essa é a proposta da Saudação à Ancestralidade. O trabalho vem de encontro com a pesquisa da arte educadora com uma trajetória atuante em diversos projetos de arte negra na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, cidades do Brasil e no mundo.
SOBRE O TERÇA DA DANÇA – O Terça da Dança apresenta artistas independentes e grupos profissionais oferecendo uma programação contínua, composta por apresentações artísticas e ações formativas e reflexivas. O projeto é desenvolvido pelo Centro de Referência da Dança de Belo Horizonte – CRDançaBH, um espaço de apoio, acolhimento e convívio da comunidade da dança na capital mineira. As atividades e apresentações do “Terça da Dança” acontecem sempre às terças-feiras, às 19h.
O CRDançaBH tem como objetivo promover as diversas danças na atualidade, dialogar com a cidade e criar pontes entre artistas, instituições e equipamentos culturais, de forma transversal e democrática. Busca ainda estabelecer estratégias e planos de ação para o desenvolvimento da cadeia produtiva do setor da dança, ampliando as discussões sobre políticas culturais, formação de público e fomento, além de acolher e apoiar as diversas danças da cidade.