Cia de Dança Palácio das Artes apresenta espetáculo inspirado em café, Beethoven e jogos de RPG
Dividido em duas coreografias, “Impulsos” engloba “60 Grãos” e “Plot”; espetáculo inicia as comemorações de 55 anos da Cia de Dança Palácio das Artes
Iniciando as comemorações de seu aniversário de 55 anos, a Cia de Dança Palácio das Artes (CDPA), corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, realiza o espetáculo “Impulsos”, em março. Dividido em duas performances, “60 Grãos” e “PLOT”, o grupo se apresenta de 12 a 15 e 19 a 22 de março (quintas-feiras a domingos), no Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes. As apresentações acontecem em horários variados, sendo às 19h dos dias 12 a 14 e 19 a 21; nos dias 15 e 22, o espetáculo acontece às 18h. As duas coreografias foram criadas especialmente para a CDPA pelos coreógrafos convidados Alex Soares e Alan Keller. “60 Grãos” dialoga com a forma como o compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827) preparava seu café e com o rigor criativo presente em seu processo de composição. “PLOT”, por outro lado, estabelece uma relação com os jogos de RPG para construir uma pequena cidade ficcional, na qual cada intérprete assume um papel social. Os bailarinos atravessam dilemas simbólicos, escolhas morais e zonas de desconforto que culminam em um desfecho imprevisível. Os ingressos para o espetáculo “Impulsos” custam R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia-entrada, e estão à venda na bilheteria do Palácio das Artes e na plataforma Sympla.
Sônia Pedroso, diretora da Cia de Dança Palácio das Artes, destaca o desejo de alcançar públicos diversos com a nova montagem. “Tivemos o intuito de ocupar espaços menos habituais em relação a apresentações anteriores, como o Teatro João Ceschiatti com esse trabalho, aproximando-nos de um público diverso. Também temos o desejo de despertar sentimentos singulares em cada um desses espectadores. O que o artista apresenta abre caminhos para imagens e sensações, ajudando o público a tornar visível aquilo que já habita em si, emoções que os coreógrafos materializam por meio dos corpos dos bailarinos”, afirma.
O espetáculo “Impulsos” é realizado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e Usiminas, Patrocínio Plus da Vivo, Patrocínio da ArcelorMittal e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.
Uma pulsão de sensações — “Impulsos” é resultado da parceria da CDPA com os coreógrafos Alex Soares e Alan Keller. As duas criações partem de temas pouco usuais na dança: o café e o RPG. Seus autores explicam que esses elementos estão profundamente ligados às suas subjetividades e modos de criação. “60 Grãos” nasce do apreço de Soares pela bebida, que também ocupa lugar simbólico no imaginário dos mineiros, enquanto “PLOT” surge do interesse de Keller em desenvolver obras que dialoguem com outras linguagens artísticas. Cenas com movimentos rápidos e tensos dão um ritmo frenético ao primeiro, e o segundo, por sua vez, é composto por passagens que transformam o palco em um grande tabuleiro, dando lugar a uma performance mais suave e delicada. Assim, o público é convidado a mergulhar em uma pluralidade de sensações, explorando a diversidade de sentimentos presentes em duas obras que se contrastam e, ao mesmo tempo, se complementam.
Alex se propõe a fazer com que o público sinta os efeitos do café sem precisar prová-lo. “A ideia é que quem não toma café, ou quem nunca tomou, possa experimentar seu efeito ao assistir ao espetáculo. A mensagem que pretendo levar é justamente que o público sinta novamente, de forma deslocada, a ação da cafeína no corpo. A peça carrega essa energia, e o meu desafio foi esse: será que conseguimos sentir um café sem ingeri-lo? Tudo isso é permeado por uma sonata conhecida e acelerada de Beethoven, o terceiro movimento da ‘Sonata ao Luar’. Inclusive, faz sentido pensar, também, na obsessão do compositor em preparar seu café com exatos sessenta grãos”, explica o coreógrafo.
Alan Keller, por outro lado, explica que sua obra busca instigar a participação do público na narrativa conduzida pelos bailarinos. Para ele, o sentido de “PLOT” está justamente na imaginação de um desfecho pelo espectador ao longo da apresentação e na possibilidade de se surpreender com o desfecho real. “Quando a Soninha me convidou para criar um espetáculo pensado para espaços alternativos, não pensei duas vezes. Justamente por ser uma obra que pode circular também fora dos palcos, a interação com o público é fundamental. Acredito que ele precisa participar, estar envolvido, e esse envolvimento é o que garante o resultado de ‘PLOT’. A apresentação é um jogo que nos surpreende, e espero que os espectadores sintam isso nesse retorno aos palcos, porque, assim como na vida, cada dia é um jogo cujo resultado final nunca sabemos ao certo”, afirma o coreógrafo.


