Foto: Lucas Ávila.

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“Deixo o PSOL por não concordar com a transfobia estrutural do partido. Enquanto mulher transexual, não posso endossar uma estrutura que se apropria da luta e da identidade trans para privilegiar figuras e candidaturas já privilegiadas. Deixo o PSOL por não concordar com a perspectiva antropocêntrica que estrutura o partido”, escreveu a ex-candidata ao senado por Minas Gerais e Professora da UFMG, Duda Salabert, ao deixar o PSOL.

O anúncio foi feito em sua conta do Instagram, nessa semana. Filiada a dois anos, Duda ganhou popularidade por ter sido a primeira mulher trans que concorreu a uma vaga do senado. Nas eleições, Duda ficou em oitavo, entre os quinze candidatos.

Veja o pronunciamento:

Anuncio minha desfiliação do PSOL. Deixo o partido, mas continuo meu ativismo por uma sociedade mais justa, mais igualitária e mais democrática. Mantenho vivo também o projeto de colocar no protagonismo político as bandeiras da Educação, do Meio Ambiente e da Diversidade. No atual contexto de crise da democracia, entendo que ocupar a política e disputar as eleições não me é uma escolha, mas uma obrigação. Colocar meu corpo político no centro do debate eleitoral é mais do que simbólico: é uma maneira de buscar alargar a democracia, a qual nunca foi sólida no país, sobretudo para o grupo social de que faço parte. Deixo o PSOL por não concordar com a transfobia estrutural do partido. Enquanto mulher transexual, não posso endossar uma estrutura que se apropria da luta e da identidade trans para privilegiar figuras e candidaturas já privilegiadas. Deixo o PSOL por não concordar com a perspectiva antropocêntrica que estrutura o partido. Enquanto vegana, ambientalista e defensora dos direitos dos animais, não posso aceitar que a luta para difundir o respeito às vidas de todos animais fique em segundo plano. Deixo o PSOL também por não concordar com algumas diretrizes internas do partido. Entendo que essa decisão pode surpreender muitas pessoas, mas como escreveu Pompeu, político romano, “Navegar é preciso. Viver é impreciso”. Agradeço de coração a todas correntes e filiados que me receberam e me construíram politicamente nos últimos dois anos. A crítica que resultou na minha desfiliação não é às pessoas, mas à estrutura partidária. Sigamos em luta, não mais na mesma organização, por um mundo sem desigualdades sociais. A utopia segue viva!

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Enquanto isso, o PSOL respondeu a desfiliação de Duda com uma nota:

É com tristeza que recebemos o pedido de desfiliação da companheira Duda, que foi nossa candidata ao Senado. Discordamos com os motivos apresentados, nosso partido é, todos os dias, um instrumento de combate a desigualdade, ao racismo, machismo, homofobia e transfobia, em que pese as manifestações estruturais de nossa sociedade, da qual não estamos imunes. Seguiremos, com certeza, na mesma trincheira de oposição ao Bolsonaro. Reafirmamos o compromisso com o enfrentamento cotidiano a essas práticas. Como já informado internamente, mantemos para o dia 24 de abril às 19h, reunião da setorial LGBTIQA+ do PSOL BH para discutir o caso Indianare.

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