Você está aqui
Início > Artigos > Pé diabético, prevenção evita amputação

Pé diabético, prevenção evita amputação

O autor Dr. Adauto Versiani é presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (foto: divulgação).
O autor Dr. Adauto Versiani é presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (foto: divulgação).

O pé diabético é um problema que uma a cada quatro pessoas com diabetes pode ter ao longo da vida. A complicação é ocasionada devido a uma polineuropatia diabética (PND) e cerca de 50% dos acometidos podem ser afetados. Polineuropatia diabética é uma inflamação que ocorre nos pés provocada pelos níveis elevados de glicose levando a uma perda da sensibilidade protetora dos pés e por isto colocando em risco do pé diabético. Uma das gravidades é ser a causa mais importante de úlceras que precedem 85% das amputações. A prevenção é fundamental, pois a PND leva a insensibilidade e, nos estágios mais avançados, a deformidades dos pés.

Quando um diabético percebe alguma irregularidade no pé, quer seja na cor, temperatura, sensação, deformidade dos ossos, inflamação ou infecção, existe a possibilidade do pé diabético que pode ser agravado pela PND. Nem sempre, os sintomas são reconhecidos e muitos não fazem o tratamento adequado pela falta de diagnóstico. Os sinais comuns são formigamentos, sensação de queimação, dormência, dor (facada, pontada), fraqueza ou fadiga e câimbras com sintomas de má circulação.

Durante a noite, os sintomas tendem a piorar, porém melhoram com atividades físicas. Centenas de pessoas reclamam mais dos sintomas à noite que durante o dia. Para se precaver dessa complicação, os diabéticos precisam ter uma atenção maior com os pés. O autoexame é essencial, devendo inspecioná-los diariamente em um local iluminado para identificar feridas, rachaduras, cortes, calos, alterações nas unhas, áreas avermelhadas ou quaisquer anormalidades. Caso haja dificuldades para o auto exame, pôde-se fazê-lo com a ajuda de um espelho ou pedir alguém para examiná-lo para você. Deve-se também tomar cuidado na escolha de calçados que sejam, preferencialmente, macios e moldados ao formato dos pés.

Quem tem diabetes tipo 1, a partir do 5º ano de duração e, tipo 2, desde o diagnóstico, devem passar por uma avaliação anual dos pés, incluindo a história e exame clínico simples. Existem também boas práticas para prevenir o pé diabético , como evitar andar descalço, ao tomar banho ter cuidado com a temperatura da água – que não deve passar dos 35°C -, fazer movimentos circulares com os pés a cada 15 minutos e não deixá-los parados, evitando colocar os pés de “molho” e também não andar de chinelos e sandálias.

É importante sempre consultar o médico para examinar os pés durante as consultas e solicitar orientação, mesmo quando for uma ferida pequena. Nos casos de feridas mais extensas, alguns profissionais recorrem a métodos que aceleram a cicatrização. Outra recomendação é as palmilhas posturais que auxiliam na prevenção de lesões, sendo confeccionadas com material especifico e que podem ser moldados ao pé de cada pessoa.

Manter a taxa glicêmica sob controle e fazer exames anuais para o diagnóstico precoce da PND são ações cruciais para evitar complicações do pé diabético. Metade das pessoas com diabetes pode ter PND sem sintomas. Usar meias sem costuras, manter os pés limpos e, antes de cortar as unhas, lavá-las e secá-las bem, são outras dicas. Normalmente, a pessoa só se dá conta do problema, quando está num estágio avançado e quase sempre com uma úlcera ou uma infecção, tornando o tratamento mais difícil em decorrência dos problemas de má circulação.

Ícaro Ambrósio
Vou vivendo como sou e vou sendo como posso: jornalista e diretor do site O Contorno de BH.

Deixe uma resposta

Top