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Morte de inocentes e a política de enfrentamento da criminalidade

Bady Curi Neto, advogado fundador do Escritório Bady Curi Advocacia Empresarial, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) (foto: Telma Terra).
Bady Curi Neto, advogado fundador do Escritório Bady Curi Advocacia Empresarial, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) (foto: Telma Terra).

Não restam dúvidas que a morte de qualquer inocente pela violência urbana é uma tragédia que comove toda sociedade, notadamente quando este inocente é uma criança em tenra idade, que nada contribuiu para tal adversidade.

Ágatha Félix, 8 anos de idade, foi atingida por uma bala nas costas quando voltava para casa em uma Kombi no Complexo do Alemão, durante uma operação policial no Rio de Janeiro. As versões dos fatos se contradizem, a polícia alega que ao entrar na comunidade fora recebida com tiros e passou a revidar. Familiares contestam e dizem que a menina foi atingida por um tiro de policial.

O avô, imbuído de emoção pela perda da neta, o que é mais do que natural saiu apontando culpados, em uma tentativa inconsciente de amenizar sua perda dolorosa, na procura de justiça.

A verdade é que sequer houve tempo de fazer uma perícia balística ou investigação profunda, e a responsabilidade já recaiu sobre os ombros dos policiais. Estes despautérios são patrocinados e impostos pelos traficantes no intuito de colocarem a população contra a presença da força do Estado em sua comunidade, para que atividades criminosas corram sem repressão.

Infelizmente, Governantes, em um passado, viraram as costas para estas comunidades, quase em um pacto de mediocridade, no qual os criminosos não desciam os morros e a força policial não subia, tornando ali território alijado do Estado, cujo os donos eram os traficantes ou milicianos.

Deve-se fazer uma investigação séria no caso de Ágatha. Saber se a polícia estava revidando tiros ou se realmente, o que não acredito, saíram disparando a esmo. A sociedade e os familiares merecem esta resposta.

De outro lado, o que não se deve permitir é a mudança da política de enfrentamento contra o crime organizado, que tem demonstrado resultados positivos na redução da violência do estado do Rio de Janeiro. Não é admissível uma comunidade refém da criminalidade em um Estado de Direito, em que bandidos impõem toque de recolher, cobram para proteção e etc., constrangendo os moradores pela bestialidade do terror.

Pergunta-se: Por que nestas comunidades, quando há disputa por ponto de tráfico entre diferentes facções, com tiroteio por todos os lados, morte de pessoas inocentes, ninguém sai à rua para protestar contra a violência? A resposta é simples: qualquer manifestação contra o interesse da criminalidade é punida com a morte do manifestante e familiares.

Da mesma forma, não vejo os Direitos Humanos reunirem para apoiarem as famílias de Policiais Militares que são alvejados na guerra contra o crime, prática essa, comum quando há morte de bandidos. A triste e dolorida morte de Ágatha, assim como de vários policiais mortos ou feridos em serviço não podem ser apenas números de estatística da violência do Rio de Janeiro. Devem, ao contrário de algumas manifestações, ser corolário que a violência produzida pelo crime organizado deve ser extirpada daquelas comunidades, pela força Estatal.

Os números da diminuição de mortes violentas no Rios Janeiro, na ordem de 23%, provam que política de segurança pública do enfrentamento da criminalidade traz melhor resultado do que a política da passividade com o crime. Tenho dito.

Ícaro Ambrósio
Vou vivendo como sou e vou sendo como posso: jornalista e diretor do site O Contorno de BH.

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