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Cirurgia devolve audição aos surdos

Foto: iStock.
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A surdez é a quarta doença com mais impacto na vida da população mundial, sendo prioridade do século para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Uma pesquisa realizada pela entidade entre 2013 e 2015 concluiu que a deficiência auditiva exerce mais influência na qualidade de vida do indivíduo que complicações como deficiência visual e de locomoção. No Brasil, cerca 10,7 milhões de pessoas sofrem com a doença, o equivalente a 5% da população. Desse total, cerca de 2,3 milhões são acometidos pela deficiência auditiva severa ou surdez total.

Apesar do quadro negativo, o médico otorrinolaringologista do Hospital Felício Rocho, Dr. Eduardo Rossi, conta que essa realidade está mudando. Há mais de 11 anos, pessoas incapazes de ouvir qualquer ruído ou deficientes auditivos que não reagiram ao tratamento com o aparelho auditivo têm a possibilidade de passar pelo procedimento cirúrgico de implante coclear. O primeiro procedimento realizado no Brasil foi em 1990, em Bauru, no interior de São Paulo.

A cirurgia tem por finalidade “construir” uma nova cóclea para os pacientes que tiveram o órgão lesionado. “Nós colocamos uma espécie de microfone atrás do ouvido do paciente. Esse aparato faz o papel da cóclea, ou seja, o som chega até ele e é transformado em impulsos elétricos. Esses impulsos são transmitidos por um feixe de eletrodos que está em contato direto com o nervo acústico”, explica Dr. Eduardo Rossi.

Localizada na parte interna do ouvido, a cóclea é um órgão responsável por transformar ondas sonoras em impulsos elétricos que são transmitidos ao cérebro através do nervo acústico. De acordo com o médico, se a cóclea não funciona, a pessoa não consegue escutar. Alguns fatores como a superdose de determinados medicamentos, certas doenças virais, ou mesmo a má formação congênita podem lesionar a cóclea.

Apesar da grande demanda e da facilidade aparente de acesso – a cirurgia é oferecida pelo SUS e amparada por todos os planos de saúde -, o número de implantes cocleares realizados no Brasil ainda é baixo. Desde que o método foi implementado, há quase 30 anos, o país registrou apenas, 7 mil procedimentos.

Para Dr. Eduardo Rossi, a taxa é pouco representativa devido à demora em identificar a deficiência auditiva dos pacientes. “A triagem neonatal algumas vezes não acontece e, quando acontece, o encaminhamento ao especialista via SUS é morosa. A realização dos exames para identificar o problema também demora e há um limite para o número de cirurgias a serem realizadas por causa alto custo do procedimento”, afirma.

O médico ainda destaca que o procedimento é apenas o primeiro passo para a reabilitação auditiva. “O pós-operatório cirúrgico é semelhante ao de qualquer cirurgia de ouvido. O paciente deve realizar terapia com fonoaudiólogo para reaprender a ouvir. Essa terapia tem longa duração, são anos de acompanhamento. A criança submetida ao procedimento antes de 3 anos de idade por exemplo, tem ótimos resultados e consegue se alfabetizar e falar normalmente, semelhante à criança de mesma idade”, garante.

Ícaro Ambrósio
Vou vivendo como sou e vou sendo como posso: jornalista e diretor do site O Contorno de BH.

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