Foi assim que ficou o joelho e o braço da jovem agredida (foto: reprodução/facebook).

Foi assim que ficou o joelho e o braço da jovem agredida (foto: reprodução/facebook).

Mais um caso de machismo e impunidade tomou conta das redes sociais, nesta semana. Dessa vez a vítima foi uma jovem que foi assediada e agredida por um grupo machista, sofreu deboche pelos funcionários do bar onde estava no momento da agressão e ainda assistiu a polícia militar cruzar os braços e não tomar nenhuma atitude em sua defesa.

Os ferimentos no corpo foram leves, mas a moral e o fator psicológico pode ter feridas muito maiores. Depois de tanta humilhação, a vítima postou um texto de desabafo em seu Facebook. O caso ganhou atenção do público e, até a manhã de hoje, alcançou pouco mais de 1,6 mil compartilhamentos. O Contorno de BH também enxergou você, jovem guerreira, e decidimos postar na íntegra o seu lamento.

 

ALERTA TEXTÃO

PORQUE O FEMINISMO É IMPORTANTE (2):

Ontem, ao sair de uma boate, eu e mais três amigos (dois homens e uma mulher) decidimos ir a um bar próximo dali. Os meus dois amigos homens tiveram que passar na casa de um (que morava ali perto), enquanto eu e minha amiga esperamos no bar.

Enquanto esperávamos, dois desconhecidos de uma outra mesa ficaram nos assediando. A situação foi tão constrangedora que decidimos ir embora assim que nossos amigos voltaram – os caras já tinham conseguido estragar nossa noite.

Quando levantamos, um dos babacas decidiu dar mais uma das “cantadas” dele, o que foi a gota d’água pra mim. Indignada, fui tirar satisfação com os dois, que continuaram fazendo piada e reforçando o quanto eu era “sortuda” por eles me acharem bonita (hahahaha, piada!). Foi tanta falta de respeito que, no final, peguei o copo do cara e joguei a cerveja na cara dele. Fiz questão de falar o quanto o mundo era nojento por conta de gente como eles.

Ok, fomos embora do bar.

Em frente ao REI DO PASTEL (da Rua Sergipe, esquina com a Fernandes Tourinho), eu e meus amigos estávamos esperando nosso Uber, quando, de uma Saveiro preta – placa PXQ-1682 – desceu um dos caras do bar nos xingando. Enquanto um dos meus amigos tentava controlar ele, ele avançava em minha direção, até que conseguiu me bater e me jogar no chão. Obviamente, depois do grande feito, o homem foi embora.

Chamamos a polícia. Enquanto aguardávamos a viatura, fomos conversar com os funcionários do Rei do Pastel, para que pudessem testemunhar o que havia acabado de ocorrer. A nossa surpresa foi quando eles afirmaram que não iriam testemunhar nada, que ali ninguém vê nada, que não lembravam de nada e que não tinham nada a ver com isso (oi?). Insistimos, explicamos que atos como esses não podem ficar impunes, sem sucesso.

Já cansada com toda essa situação, saí do Rei do Pastel. Eis que, do lado de fora do bar, ouvi os funcionários fazendo piada com a situação, como se fosse engraçado uma mulher ser covardemente agredida por um homem.

Mais uma vez, não aguentei. Fui lá dentro tirar satisfação com os funcionários, derrubei um café no balcão e discuti muito com eles, demonstrando minha indignação com babaca que insiste em defender macho agressor. Eles, por sua vez, acharam uma boa ideia sair do balcão e me ameaçar com um cabo de metal e bater em mim e no meu amigo (que, ao contrário de mim, tentava conversar pacificamente com eles). Foi quando a viatura chegou.

Quando vemos casos de agressão policial, nunca imaginamos que um dia irá ocorrer com a gente. Quando a viatura chegou e fui explicar toda a situação ao policial, a primeira fala dele foi: ah, mas você tinha que jogar a cerveja na cara de uma pessoa que não estava fazendo nada?

NADA??????? Assediar duas mulheres sentadas em um bar não é nada????? Fazer piada, sugerir um estupro e reforçar o seu machismo quando ela pede o mínimo de respeito é NADA????????

Cês juram que uma cerveja na cara de um babaca desses é motivo pra ele meter a porrada em mim? Pois a polícia acha que sim.

Depois de tanta humilhação – porque é frustrante ter que brigar pelo seu direito de sentar em um bar sem ter que ouvir um macho te chamando de gostosa e falando que “vai te comer toda” -, desistimos, resolvemos ir pra casa.

O mais triste de tudo é pensar que pra esse cara, pros funcionários do Rei do Pastel e pra polícia esse tipo de atitude é normal e reagir a qualquer tipo de assédio é coisa de mulher descompensada, histérica.

Eu tô fazendo esse textão porque eu tô cansada de ter que aceitar calada homi que se sente no direito de me tratar como um pedaço de carne e de me bater quando eu reajo a esse assédio nojento.