Quando o paciente chega ao consultório médico para realizar exames de rotina se depara com uma relação de termos técnicos e siglas que muitas vezes intrigam. Entre estes estão o LDL e o HDL, que nada mais são do que as taxas de colesterol que têm funções importantes para o bom funcionamento do organismo, mas também podem causar sérios danos se estiverem descontrolados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o colesterol é um dos principais causadores das 17,5 milhões de mortes por doenças cardiovasculares no mundo. O alerta da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é que cerca de 40% da população no Brasil têm colesterol elevado, o que potencializa a necessidade de controle e tratamento com acompanhamento médico.

Existem vários tipos de colesterol, sendo os principais o HDL que é chamado de “colesterol bom” e o LDL, conhecido como “colesterol ruim” e estes têm funções distintas. O desejável é que o colesterol total seja de até 200, sendo o LDL até 129 e o HDL maior que 40. Hoje, a meta para os pacientes com determinadas doenças chega a LDL menor que 100.  As mulheres tendem a ter uma taxa maior de HDL estatisticamente – explica o coordenador da unidade coronariana do Hospital Norte D’Or, Dr. Miguel Angelo Ribeiro.

Além dos fatores modificáveis, como alimentação e a prática de exercícios, há condições hereditárias que interferem nas taxas de colesterol provocando o aumento de lipídios (gordura) sanguíneos, ou seja, as dislipidemias familiares, que, condicionados a fatores genéticos, podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

Existe um vasto arsenal terapêutico para tratamento da dislipidemia, porém novas medicações estão chegando ao mercado tais como inibidores de transferências dos ésteres de colesterol e outras que vão ter grande utilidade no tratamento de dislipidemia mais graves. Devemos lembrar que o melhor fármaco para seu tipo de dislipidemia deve ser avaliado e indicado por um médico, assim como o acompanhamento de seu tratamento – ressalta o cardiologista.

Hábitos alimentares saudáveis, tais como redução da ingestão de alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas, associados a realização de atividade físicas são medidas essenciais no controle do colesterol. Além disso, o combate à obesidade é uma condição fundamental no tratamento da doença.

É preciso destacar que o colesterol é um tipo de gordura naturalmente presente em alimentos de origem animal, mas quando consumidos acima do ideal por dia, ou seja, 200 miligramas, pode aumentar os níveis. Além disso, deve-se evitar o consumo excessivo de gordura trans, presente em alimentos industrializados; assim como da gordura saturada, encontrada em carnes em geral, embutidos, como bacon, linguiça, mortadela e outros – ressalta a nutricionista clínica do Hospital Quinta D’Or, Fernanda Carvalhal.

A especialista destaca, ainda, que o consumo exacerbado desses tipos de gordura influencia nos níveis das frações de colesterol, diminuindo o HDL e aumentando o LDL. Também indica que a preferência deve ser por produtos com gordura poliinsaturadas, fontes de ômega 3– encontrado em salmão, atum e sardinha – ao menos duas vezes por semana, assim como a ingestão de duas colheres de sopa, por dia, de linhaça e chia, que podem ser misturadas em sucos, iogurte e outras preparações. Esses hábitos, inseridos em uma dieta equilibrada e associados a atividade física, aumentam os níveis do colesterol bom e proporcionam uma melhoria no funcionamento do organismo.