Nas ruas, praças e parques. Nas escolas, faculdades e academias. Nos bares, restaurantes e lanchonetes. No trabalho, em casa ou na igreja. No dia, na noite, nos hospitais, os rostos são sempre os mesmos. Mulheres, sempre irradiantes, por trás de seu sorriso podem esconder ou até não perceber um mal que as ataca injustamente: o câncer de mama.

Considerada a doença que mais mata mulheres no Brasil, segundo Instituto Mário Penna, o câncer de mama é sorrateiro, ataca o corpo e a autoestima feminina. Talvez por isso essa deficiência celular seja tão agressiva. A falta de informação ou a vergonha de assumir este problema são também agravantes que elevam as estatísticas e colocam esse mal como um dos mais letais.

Dados do INCA para 2010.

Dados do INCA para 2010.

Só que este triste entrave pode muito bem desaparecer caso as mulheres se doem um pouco mais.  Em 2010, apenas no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), ao menos 19 em cada 100 mulheres foram diagnosticadas. Porém, este dado ainda poderia subir, caso mais mulheres fizessem periodicamente o exame de prevenção. Parece assustador, não é? Mas não é bom alarmar, porque mesmo com esta suposto crescimento, o número de pessoas que superariam a doença também cresceriam.

O Outubro Rosa é uma campanha que estimula a prevenção do câncer de mama e auxilia o tratamento. Durante todo mês de outubro, prédios públicos e privados de todas as partes do país se iluminam com a cor rosa para evidenciar a prevenção, popularizando o exame preventivo. Em alguns centros médicos de Belo Horizonte, com a Santa Casa, o Hospital da Baleia e o Hospital das Clínicas, o exame é realizado gratuitamente.

Força é uma palavra que bem define o Outubro Rosa. Salvar uma pessoa é mais fácil do que se imagina. E quando o assunto é a própria vida, é melhor alguns poucos dias de sofrimento do que a ausência. Ao longo da história são várias mulheres lembradas por sua determinação e coragem: Joana D’arc, Virgem Maria, Mary Quiri e Princesa Isabel são alguns exemplos. Porém, você, mulher de 2016, não precisa de ser ou seguir estes exemplos para ser a sua própria heroína.

 

Sintomas
O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio de alguns sinais e sintomas. A principal manifestação da doença é o nódulo, fixo e geralmente indolor. O nódulo está presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher. Outros sinais e sintomas são: pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja; alterações no bico do peito (mamilo); pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço; e saída de líquido anormal das mamas. Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados, porém podem estar relacionados a doenças benignas da mama. A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas, que significa conhecer o que é normal em seu corpo e quais as alterações consideradas suspeitas de câncer de mama, é fundamental para a detecção precoce dessa doença.

Prevenção
A prevenção do câncer de mama não é totalmente possível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao surgimento da doença e ao fato de vários deles não serem modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores, especificamente aqueles considerados  modificáveis. Estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama. Controlar o peso corporal e evitar a obesidade, por meio da alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são recomendações básicas para prevenir o câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor. A terapia de reposição hormonal (TRH), quando estritamente indicada, deve ser feita sob rigoroso controle médico e pelo mínimo de tempo necessário.

Números
Segundo tipo mais frequente no mundo, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Se diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom. No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. Estatísticas indicam aumento de sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes. O número de mortes é de 11.860, sendo 11.735 mulheres e 125 homens, em 2010.