Marcella Moreira Cagnani, eleita Miss Prisional Minas Geris 2016, vai desfilar nesta quinta-feira, às 15h, para a grife mineira Doisélles, de Raquel Guimarães, na 19ª edição do Minas Trend. A presença de Marcella na passarela do Expominas, num dos 18 looks da nova coleção da Doisélles, simboliza as iniciativas adotadas pela Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) para a humanização no cumprimento da pena e para a ressocialização de pessoas privadas de liberdade.

Aos 26 anos, essa é a primeira vez que Marcella encara uma passarela (foto: divulgação).

Aos 26 anos, essa é a primeira vez que Marcella encara uma passarela (foto: divulgação).

A Doisélles soma sete anos de investimento em trabalho de presos em Minas Gerais. A experiência inicial, de 2009, em Juiz de Fora, ensinando homens da Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, perdura até hoje na confecção das peças em tricô. Mais recentemente, a Doisélles se associou à Liberte-se, da empresária Marcella Mafra, que opera uma confecção no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto (Piep), em Belo Horizonte.

Na oficina da Piep. 12 presas produziram as malhas que são o pano de fundo para o tricô e o crochê. “A dificuldade era fazer o look total da Doisélles. Agora, a marca incorporou a malha e deu corpo para esse tricô. Eu tinha um acessório, agora é um marca dos pés à cabeça”, explica Raquell Guimarães.

A parceria entre a Doisélles e a Liberte-se é uma das 70 que estão sendo avaliadas pela Seap para receber pela primeira vez o Selo Social, criado pelo governo do Estado este ano para reconhecer as melhores práticas de ressocialização de pessoas privadas de liberdade pela qualificação profissional e pelo trabalho. Essa é apenas a primeira etapa da avaliação. Atualmente, há 280 empresas parceiras da Seap e 14 mil presos trabalham.

As modelos irão desfilar ao som das músicas “Ainda há tempo”, “Até me emocionei” e “Cartão de Visita” do cantor e compositor paulista Criolo. O artista expressa os problemas sociais em suas letras e se inspira em histórias reais para compor. Por isso, a identificação com o trabalho da Doisélles foi imediata.

Mary Figueiredo Arantes criou a concepção para o desfile com capuzes, coturnos e luvas-protetoras. Segundo Mary, os capuzes serão usados como efeito de proteção, para cobrir, velar.  “Os coturnos, os mesmos usados pelos agentes penitenciários, e confeccionados numa penitenciária de Minas, são a busca da dualidade, leveza versus brutalismo”, explica.