A dotART galeria segue com programação intensa em 2016 e prepara a abertura de suas próximas três exposições no mês de novembro, com os artistas Marcos Chaves, Bruno Faria e Bill Viola. Com entrada gratuita, as três mostras têm curadoria assinada pelo diretor artístico da dotART galeria, Wilson Lazaro. A abertura será no dia 30 de novembro, a partir das 18h30, com a presença de Marcos Chaves e Bruno Faria. As exposições ficam em cartaz na galeria até o dia 3 de março de 2017.

O carioca Marcos Chaves apresentará ao público mineiro sua exposição “Crônicas”, recorte de 20 anos de sua produção artística, entre 1996 e 2016, composto por fotografias e uma obra em vídeo. Trabalhando sobre os parâmetros da apropriação e da intervenção, sua obra é caracterizada pela utilização de diversas mídias, transitando livremente entre a produção de objetos, fotografias, vídeos, desenhos, palavras e sons.  “Marcos Chaves une a poesia, o ritmo e o humor na sua obra para criar”, destaca o curador da exposição, Wilson Lazaro.

Marcos Chaves faz da palavra, do humor e da crônica fotográfica seus instrumentos para colocar em questão as incertezas, suas e coletivas, e desafiar as certezas do mundo. O uso do texto em seu trabalho abre diferentes significados, ampliando as possibilidades de leitura e percepção de situações, às vezes, bastante simples e óbvias. Sobre seu processo de trabalho, o artista comenta: “O texto pode propor leituras mais complexas, dobras, propiciando o expectador acesso a outras possíveis interpretações do assunto em questão. Às vezes, com a supressão de uma vírgula, um acento ortográfico ou mesmo a eliminação do espaço entre as palavras, procuro dar visibilidade a uma nova maneira de observar o que parecia ser o óbvio ou o clichê”.

Um dos mais conhecidos trabalhos de Chaves, que trabalha justamente o texto, e suas camadas de significados, em diálogo com a fotografia, estará presente na dotART galeria, “Eu só vendo a vista”, de 1998. “Nesta obra, a junção da frase ‘Eu só vendo a vista’ com a fotografia da Baía de Guanabara, principal cartão postal carioca, é uma síntese da cidade, sobre ser carioca, ser artista no Rio, sobre o mercado, no caso o da arte e o imobiliário”, aponta Wilson Lazaro.

O artista recifense Bruno Faria apresentará na dotART galeria a exposição “Panorama El Viajero”, partindo de um deslocamento entre diferentes paisagens, colocando-se como um etnógrafo, um sujeito que procura conhecer e entender o mundo. A exposição tem como ponto central um olhar sobre as distintas linguagens que o artista trabalha: desenho, colagem, pintura, escultura e arte sonora. “Partindo de contextos específicos, o trabalho de Bruno Faria revela seu olhar crítico sobre o mundo em que vive”, destaca Wilson Lazaro.

No trabalho de Bruno Faria há um frescor ao lado de certas lembranças e antigas memórias. Ao se utilizar de objetos encontrados carregados de memórias, Bruno se expressa através da ressignificação destes itens. Sobre seu trabalho, o artista aponta: “Acredito que uma boa obra de arte contemporânea seja um reflexo do presente, algo que traga frescor. Minhas obras podem ser vistas em diferentes linguagens, do tradicional desenho, uma instalação ou uma ação no espaço público. Para cada obra, a apresentação dela é pensada sobretudo em relação ao público que verá”.

O videoartista norte-americano Bill Viola ocupa a Sala Pensando com trabalho “I Do Not Know What It Is I Am Like”.Seus trabalhos consistem em vídeos que se utilizam de alta tecnologia, mas que se caracterizam pela linguagem direta e pela simplicidade, buscando fazer com que o espectador trilhe um caminho para o autoconhecimento através da percepção sensorial. O curado Wilson Lazaro comenta: “Uma jornada épica em cinco capítulos, “I Do Not Know What It Is I Am Like” é uma investigação pessoal sobre os estados internos e conexões com a consciência animal que todos possuímos. Em um fluxo de imagens de notável claridade, profundidade e beleza, tecidas dentro de um sutil campo de som natural, Viola cria uma visão atemporal do mundo natural e nosso lugar nele”.

Inaugurada em abril de 2016, a “Sala Pensando” é um lugar que propicia o diálogo e a experimentação entre o pensamento contemporâneo e todas as formas de criação e manifestação na arte. O espaço abriga e pretende ampliar o diálogo entre obras de diversas áreas artísticas como moda, música, literatura, artes visuais, artes cênicas, audiovisual e tecnologia, transformando-se numa rede contínua de troca de movimentos, atitudes e ações dos artistas, trazendo um frescor para o ambiente de galeria de arte. Dessa forma, a dotART pretende resignificar a relação do público com a galeria, convidando-o, também, a conhecer e participar do processo.