Mais uma vez, o melhor do jazz mundial chega até o público num cenário incomparável e rico de belezas naturais, levando a uma grande celebração da música e da natureza. De 17 a 19 de maio, acontece no distrito de Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro (MG), a segunda edição do Tabuleiro Jazz Festival. Com entrada franca, o evento reunirá grandes atrações internacionais e regionais, numa programação diversificada e recheada de incríveis surpresas.

Entre elas está a participação de um dos maiores pianistas de jazz do mundo, o americano Kenny Barron, que integra o Jazz Connection Trio, ao lado dos brasileiros Nilson Matta (contrabaixo) e Rafael Barata (bateria). Em ritmos contagiantes, o trio vai encantar o público com sua mistura de hard bop e música brasileira.

Segundo o curador do Tabuleiro Jazz Festival, o violonista Aliéksey Vianna, essa é a proposta essencial do evento, desde a sua criação: promover uma grande diversidade de manifestações culturais, por meio do diálogo entre artistas com distintas referências e linguagens. “Esse ano, conseguimos abrir mais o leque, com uma variedade ainda maior de ingredientes nesse caldeirão musical, mas mantendo o mesmo nível de qualidade. Participarão do festival músicos do mais alto nível do jazz americano e europeu, artistas que são parte dos line-ups dos principais festivais do mundo”, explica.

Um deles é o guitarrista e compositor francês Nguyên Lê, de ascendência vietnamita. Conhecido por seu refinamento e originalidade na world music e no ramo do jazz conhecido como fusion, Lê é considerado um dos guitarristas mais inventivos da atualidade, transitando com extremo bom gosto por diversas culturas, o que torna suas apresentações sempre surpreendentes. O artista se apresenta com três grandes expoentes da música instrumental brasileira: o brilhante compositor e multi-instrumentista Antonio Loureiro e a impecável cozinha dos irmãos Adriano (baixo) e André Campagnani (bateria).

Este encontro multicultural inédito promete unir a exuberância dos timbres do músico parisiense com a força dessa cozinha reconhecida por sua energia e precisão. Antonio Loureiro completa o time ao vibrafone, instrumento chave na sonoridade do disco “STREAMS”, último de Nguyen Lê. Além do repertório desse álbum, o quarteto executará também músicas do fabuloso “Maghreb & Friends”, premiadíssimo trabalho de 1998, e até um arranjo de uma composição de Johan Sebastian Bach.

Encontros inusitados como esse já são uma iniciativa marcante do Tabuleiro Jazz Festival. “Na primeira edição, em 2018, tivemos, por exemplo, o virtuose Paul Hanson com o versátil trio de Magno Alexandre. Mas este ano teremos o que talvez seja o mais ambicioso deles, entre a MG Big Band e o compositor americano Sheldon Brown”, conta Aliéksey Vianna. O seleto grupo de 18 músicos mineiros regidos pelo maestro Sérgio Gomes receberá Brown, um dos principais nomes da atual cena californiana do jazz, para um programa de suas composições, arranjadas especialmente para o festival, na clássica formação das big bands, com 5 saxes, 4 trompetes, 4 trombones, guitarra, piano, baixo, bateria e percussão. O próprio Brown será o solista do grupo ao clarinete e sax soprano.

Outro destaque do evento é a apresentação da Focusyear Band 19, formada por músicos de vários países, como Estados Unidos, Coréia do Sul, Espanha, Áustria e Brasil. O trabalho de excelência do grupo é fruto de um programa de residência artística no Jazz Campus em Basel (Suíça), tendo como orientadores grandes mestres do jazz mundial. Juntos, eles irão mostrar solos de alto nível, em composições originais.

E o melhor da música instrumental mineira também estará presente no Tabuleiro Jazz Festival, com a participação do Celso Moreira Quinteto. Celso se apresenta ao lado de músicos de primeira linha: Chico Amaral (saxofone) André “Limão” Queiroz (bateria), Enéias Xavier (contrabaixo) e Christiano Caldas (teclado). No repertório, composições autorais e de outros grandes nomes da música brasileira, assim como standards de jazz carregados dos arranjos característicos do artista.

Outra grande atração que vai fazer o público vibrar e dançar é o show do instrumentista Jorge Continentino, com seu projeto Pifanology. Tendo o pífano como protagonista, a apresentação traz outros instrumentos como saxofone, percussão, baixo e duas baterias. O show mostra as influências que compõem a formação musical do artista, envolvendo, além do jazz, o rock, ritmos tradicionais do norte e nordeste do Brasil, elementos da música eletrônica, dub, entre outros. Jorge vem acompanhado dos músicos André Queiroz (bateria), Frederico Heliodoro (baixo), Orlando Costa (percussão) e Felipe Continentino (bateria).

O evento será apresentado pela publicitária, blogueira e escritora, Cris Guerra e contará com a participação de Deco Lima como DJ.

Abertura do festival traz atrações locais
Na sexta-feira, dia 17, a abertura do festival será realizada pelo Bloco Quebra Tabu, formado por 22 percussionistas do distrito de Tabuleiro. Tocando alfaias, agbês, caixas de guerra, gonguês e xique xiques, saxofone, trompete e flauta, o grupo musical vai interpretar clássicos da música popular, composições autorais e releituras de canções de domínio público de nossa tradição. No repertório, o hino do Quebra Tabu, “Canto de Xangô’ (Baden Powell), “Anunciação” (Alceu Valença), ”Zumbi” (Jorge Ben Jor) e “Mamãe Oxum” (Zeca Baleiro).

Outra artista de Conceição que se apresenta na abertura do evento é Denise De Miranda, cantora de jazz e compositora. Neste show, ao lado do percursionista e baterista Wesley Gonçalves, a artista mostra seu talento em voz e violão, interpretando canções em português, francês, espanhol e italiano. O repertório do show é fruto dessa longa experiência musical no Brasil e na Europa, onde se apresentou em festivais e clubes de jazz.

Participa também do primeiro dia de shows a Banda Mula, que possui influências artísticas marcadas por ritmos brasileiros (samba, maracatu, afoxé), jamaicanos (nyabinghi, reggae, dub) e também pelo rock’n’roll clássico. O grupo vai apresentar composições de seu disco MULA.

Com sonoridade brasileira e referências da música eletrônica, folk rock e pós-punk, Flavião e o Retrofuturismo, que tem à frente o conceicionense Flávio Lima, fecha a programação de sexta-feira. Ele se apresenta com os músicos Daniel Saavedra (synths, programação), Deco Lima (guitarra), Paulo Pires (bateria, programação) e Rodrigo Araújo (baixo). Haverá participação especial de Renato Carvalho (saxofones) e Felipe Gaeta (gaita).