A Filarmônica de Minas Gerais mostra a conexão entre “Música, Fauna e Flora” em concerto da série Fora de Série, no sábado dia 25 de maio, às 18h, na Sala Minas Gerais, sob a batuta do maestro Fabio Mechetti. Para ilustrar a comunhão ecológica entre seres humanos e seu meio ambiente, a Orquestra interpreta Trenodia para Toki, op. 12, de Yoshimatsu; Os Crisântemos, de Puccini; Os Pássaros, de Respighi; E Deus criou as grandes baleias, op. 229, nº 1, de Hovhaness; Floresta do Amazonas (excertos), de Villa-Lobos.

Trenodia é o nome dado a um canto fúnebre, ou a uma ode a um assunto triste. Se usarmos este caminho para entender a composição de Takashi Yoshimatsu, fica ainda mais compreensível a interseção que Trenodia para Toki traz entre uma composição de beleza ímpar, mas, simultaneamente, dotada de uma tristeza inconformada. Toki é a ave símbolo do Japão, declarada extinta em 1981, quando os seis exemplares remanescentes foram capturados pelo governo na tentativa malsucedida de gerar novos filhotes. No mesmo ano o opus 12 de Yoshimatsu estreava pela Sinfônica do Japão, com regência de Kazuo Yamada.

A Orquestra Filamônica de Belo Horizonte sob regência do Maestro Fabio Mechetti (foto:  Eugênio Savio).

A Orquestra Filamônica de Belo Horizonte sob regência do Maestro Fabio Mechetti (foto: Eugênio Savio).

A disposição da orquestra no palco evocava o formato do pássaro: o piano, ao centro, representa o corpo; os contrabaixos, ao fundo, a cauda; as cordas espelhadas, metade do lado esquerdo e metade do lado direito, são as asas; e o maestro é a cabeça. No fim da década de 1980, o toki foi redescoberto na China. Em 1999, o Japão ganhou de presente um casal de tokis: Youyou e Yangyang, que no mesmo ano deram à luz o primeiro filhote japonês gerado por incubação artificial. Hoje, Japão e China já contam mais de 600 aves da espécie. Em 2010, Filarmônica fez a estreia de Trenodia para Toki no Brasil.

À época, o nosso maestro Fabio Mechetti explicou: “Toda música tem um pouco dos costumes e do folclore do país em que é feita. A do Japão, que chega a incorporar instrumentos tradicionais em algumas peças, é mais contemplativa, até pela própria cultura local. Essa de Trenodia para Toki, por exemplo, não tem pulso, batida. A música japonesa, em geral, tem essa característica. É uma outra noção de tempo”.