A Comissão Parlamentar de Inquérito das Barragens realizou visita técnica à Mina de Capão Xavier da mineradora Vale S/A, localizada no distrito de Macacos, em Nova Lima (MG), para verificar as condições de segurança e estabilidade da Barragem de rejeitos B3/B4. A atividade, que estava prevista para ocorrer na Mina de Mar Azul, também em Macacos, ocorreu em Capão Xavier por conta da paralisação e interdição de Mar Azul, depois do rompimento da Barragem do Córrego Feijão, em Brumadinho (MG).

mina-serra-azul-jardim-canada-nova-lima-macacos-barragem-b3b4-b3-b4-lama-vale-rompimentoDurante a visita, representantes da Vale afirmaram que, desde o ocorrido na Mina Córrego Feijão, a empresa vem trabalhando no projeto de descaracterização das barragens com alto risco (nível de alerta 3), dentre elas a B3/B4, e que, nesse sentido, toda a área de possível inundação já foi evacuada e vem sendo monitorada permanentemente.

De acordo com a gerência da Vale, atualmente, no Complexo Paraopeba 1, apenas a Mina Capão Xavier está em atividade (as outras duas, Mar Azul e Mutuca, estão paralisadas), mas não despeja rejeitos na Barragem B3/B4. Instalada em 1999 pela Mineração Rio Verde, a B3/B4, que possui um volume de 27 milhões de m³ de rejeitos do beneficiamento da mineração, não vem recebendo rejeitos desde 2001 e seu reservatório está com pouca água. Apesar disso, em 2018, depois de sondagens realizadas por uma consultoria técnica, ficou constatado que a barragem possuía alto nível de alerta, uma vez que teria sido construída de maneira menos segura que as demais.

Responsável pela descaracterização da Barragem B3/B4, ou seja, pelo processo de encerramento definitivo de seu uso, Marcel Pacheco afirmou que o projeto será realizado em etapas que abrangem a implantação de três poços profundos para depressurização do lençol freático; construção de canal para drenagem da água superficial; reforço da estrutura onde há menor fator de segurança e recuo da pilha de rejeitos para preparar início da sua remoção para uma pilha estéril ou uma cava. A expectativa é que o alcance do fator de risco 1.3, abaixo do limite determinado de 1.5, ocorra apenas em 2021.

Respondendo aos questionamentos da vereadora Bella Gonçalves (Psol) e do vereador Edmar Branco (Avante) sobre outras ações executadas para garantir a segurança hídrica de Belo Horizonte e da Região Metropolitana e a saúde do Rio das Velhas, diante da situação de alto risco das barragens e da contaminação do Rio Paraopeba, a empresa também informou que será elaborado projeto para construção de duas contenções a jusante (no sentido do fluxo da água) para proteção do Rio das Velhas ainda este ano. Essas contenções deverão ser feitas por enrocamento (semelhante a um muro de pedras), porém vazado, e terão capacidade de estocar 3 milhões de m³ de rejeitos. O objetivo dessa contenção é diminuir os impactos à comunidade e ao meio ambiente, no caso de rompimento da estrutura.

Foto: divulgação

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