A Barragem Maravilhas II, na Mina do Pico, em Itabirito (MG) recebeu uma a visita técnica de membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Barragens da Câmara de BH. A agenda teve o objetivo de identificar os riscos e danos associados ao possível rompimento da barragem, bem como as ações que a Mineradora Vale S/A tem realizado para mitigação deste processo.

Foto: Sidney Lopes.

Foto: Sidney Lopes.

Segundo o presidente da CPI, o vereador Edmar Branco (Avante), uma das principais preocupações da Comissão nesta visita é entender os impactos causados no abastecimento de água de Belo Horizonte e Região Metropolitana, caso ocorra um rompimento da barragem e consequente contaminação das águas do Rio das Velhas, “Bacia que, hoje, é a principal fonte de captação de água para a capital mineira”, explicou o parlamentar.

Maravilhas II é uma das 13 barragens que integra o Complexo Vargem Grande, que é formado ainda por seis minas, oito usinas e três terminais de carga, sendo que quatro de suas barragens são de rejeitos. De acordo com a gerente executiva de Operações de Vargem Grande da Vale, Karina Rapucci, a empresa vem trabalhando diversas medidas simultâneas para que, até o mês de setembro, novo laudo libere a barragem para atividade. Segundo a gestora, Maravilhas II é uma das principais barragens do Complexo que, atualmente, opera apenas 1 milhão de m³, embora sua capacidade total seja de 42,9 milhões. A empresa responsável por apresentar o laudo será a Geoestável.

Desde o dia 20 de fevereiro deste ano, por determinação da Agência Nacional de Mineração (ANM), as Barragens de Vargem Grande e Maravilhas II estão com as suas operações suspensas. A Barragem de Vargem Grande, instalada no ano de 2000, é do tipo alteamento a montante (3 níveis), tem um volume de 12,4 milhões de m³, 30m de altura e está no nível 1 de alerta. O engenheiro de Geotecnia na Mina do Pico, Gustavo Marçal, explica que, embora a barragem esteja desativada há 10 anos, ela é monitorada por 87 instrumentos, dentre eles, pesometria elétrica e radares das movimentações sismográficas que fazem aferições a cada 15 minutos, e não deverá voltar a operar, pois está no Plano de Descomissionamento apresentado pela Vale S/A à ANM.

Já a Barragem Maravilhas II, também do tipo jusante implantada em 1994, abriga um volume de 94 milhões de m³, tem uma altura de 97,9 m e conta, hoje, com 109 instrumentos de monitoramento. Ainda de acordo com Gustavo Marçal, Maravilhas II passa, no momento, por um processo de faseamento buscando a elevação do fator de segurança da barragem. “O nível de emergência hoje está em 1, as operações estão suspensas, e trabalhamos para que a barragem saia do estado de emergência no mês de setembro”, explicou o engenheiro.