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Em tempos de pandemia e isolamento social é importante saber qual o momento certo de ir ao hospital, especialmente para as crianças pequenas, que ainda estão com sistema imunológico em formação e os hospitais são considerados alto risco de contaminação para a Covid-19, justamente pelo grande número de pessoas doentes. Entretanto, a saúde dos pequenos não deve ser negligenciada, mas pais, mães e cuidadores, precisam entender a diferença entre o que é emergência e o que pode esperar.

Segundo pediatra Evelyn da Cunha Rabelo, que atende na Clínica Bela Infância do Órion Complex, existe uma linha tênue entre os dois momentos, mas é possível diferenciar. “O que tem preocupado é que alguns pais, por medo, estão deixando os sintomas se agravarem e as crianças acabam adoecendo”. Como exemplo, a médica cita os casos de febre. A temperatura normal do corpo é entre 36° e 37°, e o estado febril é a partir dos 37,8°. Acima de 39,5° a febre é considerada alta e precisa de cuidados médicos.

Resfriados e gastroenterites são algumas causas comuns de febres nos pequenos. Para as crianças com mais de dois anos pode-se esperar 48h, fazendo medicação em casa, até levar a um pronto-socorro, o que não se aplica às menores dessa idade. Evelyn explica que normalmente os pediatras já deixam indicado aos pais qual remédio dar em caso de eventuais febres e, é nesse momento, que essa medicação deve ser administrada. É importante também observar quando a febre está associada a outros sintomas e isso requer ida ao pronto-socorro.

A médica alerta que ficar cerca de 6 horas sem urinar é um sinal de desidratação;  vômitos recorrentes por mais de três vezes ao dia também indica que há algo errado; nos dois casos, deve-se procurar um médico. “As intoxicações por medicamentos ou produtos de limpeza são de urgência e essas crianças tem que procurar atendimento imediatamente”, ressalta a especialista, que já atua há quatro anos com pediatria.

Uma realidade comum no período de férias, é o aumento do número de acidentes doméstico, já que as crianças estão com mais tempo livre, por isso quedas e contusões também devem ser cuidados.  “Se após bater a cabeça a criança teve vômito, sangramento e perda do nível de consciência, como um desmaio, é importante levar para uma emergência imediatamente, assim como cortes grandes que necessitem sutura, considerando que elas devem ser feitas em no máximo 6 horas após o machucado”, diz Evelyn.

Ela lembra também sobre a época do ano, inverno com tempo seco e baixa umidade. “Vale fazer aplicações de soro nas narinas três vezes ao dia ou, se a criança estiver com secreção, de três em três horas. O umidificador não pode ficar molhando o local de dormir, deve ficar ligado no máximo três horas por noite e ser higienizado diariamente”, explica. Nos casos de doenças respiratórias os sinais de respiração acelerada e dificuldade para respirar também devem causar preocupação.

Em relação à contaminação do coronavírus, ela pontua: “Deve-se observar desconforto respiratórios, se a criança se cansa ao falar frases inteiras, se respira muito rápido ou se as costelas dela estão aparecendo”. Evelyn lembra que hospitais e pronto-socorros já adotaram medidas sanitárias específicas para o momento de pandemia. “A questão não é deixar de ir ao pronto-socorro, mas ir quando for necessário. Assim a saúde das crianças não será negligenciada e não haverá aglomeração desnecessária”.