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Pronunciamentos a favor e contra a reabertura de estabelecimentos comerciais e de serviços, fechados há 120 dias, apareceram em uma audiência pública na Câmara Municipal. Três vereadores da base do prefeito defenderam que academias, quadras, lojas, bares e restaurantes voltem a funcionar.

Observando as medidas de segurança necessárias, para evitar mais falências na cidade, onde 11.000 empresas já fecharam definitivamente e muitas outras poderão quebrar. Os defensores do chamado “lockdown” alegam a prioridade de proteger a vida dos cidadãos, impedindo o crescimento dos casos de Covid-19 e o colapso no sistema de saúde. A possibilidade de adotar protocolos de tratamento precoce também foi comentada.

Preto (DEM) iniciou sua fala mencionando a reportagem publicada no Diário do Comércio, informando que BH é recordista em falências causadas pela suspensão das atividades econômicas.  Ele lamentou especialmente a proibição do funcionamento das academias, que correm o risco de quebrar, mesmo sabendo-se que a prática de exercícios fortalece a saúde das pessoas e as tornam mais resistentes às doenças, e citou um barbeiro conhecido que vem descumprindo o decreto e atendendo clientes, alegando que ele e a esposa não sabem fazer outra coisa e a barbearia é a única fonte de renda da família.

Professor Juliano Lopes (PTC) e Elvis Côrtes (PSD) reforçaram as palavras de Preto, ressaltando que os proprietários de academias, quadras esportivas, bares e restaurantes, comércios varejistas e serviços considerados “não essenciais”, que estão paralisados há mais de 120 dias “não aguentam mais” e que a situação já chegou ao limite. Os vereadores também defenderam a importância das quadras esportivas, escolinhas de esportes e academias, que proporcionam saúde e qualidade de vida para a população. Assegurando que também são a favor da vida, mas que a depressão e a fome também representam ameaças à sua preservação, eles propuseram a retomada das atividades com segurança e responsabilidade.

Pedro Patrus (PT), Gilson Reis (PCdoB) e Arnaldo Godoy (PT), por sua vez, elogiaram a atitude do prefeito e defenderam a manutenção do isolamento social e do fechamento das atividades não essenciais, afirmando que os cuidados com a vida e a saúde da população devem prevalecer sobre os interesses das empresas. Em seu entendimento, o “lockdown” foi decretado com base na ciência e nas recomendações dos especialistas e atualmente é a única forma comprovada de combater a pandemia, como demonstram os resultados da adoção da medida em outros países. Gilson lembrou que a autonomia dos estados e municípios foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão unânime. Criticando a omissão e os erros do governo federal em relação à pandemia, ele admitiu que a questão do desemprego é importante sim e deve ser debatida pelos envolvidos.

Em nome do PT, Pedro Patrus e Arnaldo Godoy solidarizaram-se com a presidente e os integrantes do Conselho Municipal de Saúde, que têm sofrido “ataques sistemáticos e agressivos” por parte de alguns vereadores nas redes sociais em razão do posicionamento da entidade a favor do isolamento social. Patrus elogiou a “contribuição histórica” e o “belo trabalho” que tem sido feito pelo Conselho, criado há 29 anos, que sempre lutou pela democracia e pelo fortalecimento do setor.