Foto:Willian Dias

 

Representantes de sindicatos de servidores públicos estaduais criticaram, nesta quarta-feira (15/7/20), vários pontos da reforma da previdência proposta pelo governador Romeu Zema, que tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Entre esses aspectos, figuram as alíquotas de desconto, a possibilidade de uma contribuição extraordinária em caso de deficit, as regras de transição e os critérios para a pensão por morte, assim como o aumento de tempo de contribuição para as mulheres.

Eles participaram do Seminário Reforma da Previdência em Minas, iniciativa da ALMG iniciada nesta segunda (13) e que prossegue até esta quinta (15), com o objetivo de promover a escuta de sindicatos ligados aos servidores públicos, de experiências de outros estados e da reforma em nível federal para aprimorar os projetos que tramitam na Assembleia. O coordenador-geral do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (Sinjus), Alexandre Paulo Pires da Silva, criticou as alíquotas progressivas, que podem chegar a 19%, e também a possibilidade de se cobrar uma contribuição extraordinária em caso de deficit.

Se aprovadas, disse, as medidas vão confiscar o salário do servidor. Ele também criticou as regras de transição que, em sua opinião, são inatingíveis e o aumento da idade de aposentadoria para mulheres. Valendo-se do termo cunhado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante reunião ministerial em abril, a presidenta da Associação dos Funcionários Fiscais de Minas Gerais (Affemg), Maria Aparecida Neto Lacerda e Meloni, criticou o governador Romeu Zema que, em recente entrevista, considerou ofensivo os servidores do Estado clamarem por direitos num momento de desemprego em alta. “Ofensivo é aproveitar a pandemia pra ‘passar a boiada’”, respondeu ela.

A mesma indignação foi manifestada por Adriano Tostes de Macedo, do Sindicato de Servidores do Meio Ambiente (Sindsema). “Ofensivo é o governador mandar o vírus da Covid passear em Minas Gerais, por falta de gestão e planejamento, o que se reflete também nessa reforma”, criticou. Ele defendeu a realização de uma auditoria contábil e atuarial de forma transparente, com comissão tripartite, reunindo sindicatos, governo e membros do Poder Legislativo.