O autor Paulo Caus é economista e sócio da 3A Investimentos (foto: divulgação).

O caminho traçado pela humanidade para chegarmos ao conceito que temos hoje de mercado foi longo. Nos primórdios da civilização, toda a relação comercial se dava através da troca de produtos. O dinheiro na forma de metal só foi aparecer no século VII a.C. e, com ele, surgiram os bancos, que davam recibos escritos das quantias alocadas. Esses recibos, posteriormente, tornaram-se as cédulas como conhecemos hoje.

Nos últimos anos, contudo, observamos a ascensão e consolidação de um fenômeno que rompeu de maneira abrupta com o seguimento natural da evolução dos ativos financeiros. A partir do fim da primeira década dos anos 2000, o mercado se deparou com as criptomoedas, cujo elevado valor de sua unidade tem atraído cada vez mais investidores inexperientes iludidos pela falsa ideia de que o investimento nesse tipo de ativo vai render enorme quantidade de dinheiro em muito pouco tempo.

Esse tipo de ativo, pelos riscos envolvidos, pode proporcionar altos retornos. O Bitcoin (primeira criptomoeda inventada), por exemplo, está cotado em mais de US$ 9 mil a unidade. Para se ter uma ideia da evolução do preço deste ativo, em 2010 foi realizada a primeira transação envolvendo Bitcoin no mundo, onde uma adolescente comprou 2 pizzas por 10 mil Bitcoins, o que hoje equivale a mais de 90 milhões de dólares. O investimento nesse tipo de ativo, entretanto, deve ser visto como alternativa na alocação de portfólio, e jamais como fórmula mágica que vai trazer altos rendimentos de uma hora para outra.

Criada em outubro de 2008 e apresentada no ano seguinte, a criptomoeda surgiu como alternativa ao sistema financeiro durante a pior crise econômica global desde a Grande Depressão, em 1929. Seu sucesso fez com que aflorasse a ideia geral de que ela seria o ouro digital, concepção que se baseava no fato dela ser um ativo de proteção e pela impossibilidade de ser inflacionada.

A definição de Satoshi Nakamoto, criador do Bitcoin, para esse tipo de ativo, no entanto, é muito mais simples. Ele afirmou que a criptomoeda é “simplesmente um dinheiro eletrônico de peer to peer [de pessoa para pessoa]”.

Em outras palavras, é um dinheiro exclusivamente virtual que não é emitido por nenhum governo e não conta com bancos ou instituições regulatórias que façam o papel de mediador nas transações – o que faz com que as criptomoedas sejam definidas como parte de um setor descentralizado.

Com esse tipo de ativo, portanto, é possível realizar operações com alta velocidade para qualquer lugar do mundo, com custo baixo e sem ter que se preocupar com a variação cambial.

O infortúnio desse ativo, contudo, é a inexistência de um ente que garanta a segurança das transações. Uma vez inserido nesse tipo de investimento, a pessoa deve ter em mente que, diante da ausência de leis que a protejam em eventuais furtos, ela é a única responsável por tudo o que acontece com suas moedas digitais, a não ser que conte com alguém especializado para orientá-la no manejo dos ativos ou com uma corretora para confiar as moedas, posto que armazená-las em dispositivos móveis como celular e computadores pessoais tornam os investimentos mais vulneráveis a ataques de hackers.

Apesar do risco, o investimento em moedas digitais se apresenta como excelente alternativa para quem deseja diversificar sua alocação de portfólio. A enorme quantidade de informações a respeito delas e sua grande diversidade disponível no mercado facilitou muito a entrada de investidores nesse segmento.

Além disso, há quem considere que esse tipo de moeda pode, em um futuro não muito distante, substituir o dinheiro em papel e as transações eletrônicas mediadas pelos bancos. O empresário norte-americano Roger Ver, um dos maiores nomes do mercado de criptomoedas do mundo, por exemplo, em diversas ocasiões afirmou que “as criptomoedas vão substituir as moedas atuais”. Para ele, as moedas digitais “são mais úteis para pagamentos online e no e-commerce” e, principalmente, “para transações internacionais”.

Portanto, considerando que estamos vivendo a quarta revolução industrial, também denominada Revolução 4.0, temos, com as criptomoedas, a oportunidade de participar de um evento histórico não como meras testemunhas oculares, e sim como coadjuvantes da formação de uma nova era que se consolidará daqui alguns anos.

 

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