Foto: divulgação.

 

De 22 de agosto a 05 de setembro acontece a 1ª Mostra de Cinema dos Quilombos, totalmente online e gratuita, resultado parcial da pesquisa/levantamento iniciada em junho deste ano em parceria com as pesquisadoras Alessandra Brito e Maya Quilolo sobre o cinema feito nos quilombos no Brasil. Até o mês de agosto a mostra recebeu mais de 40 inscrições de filmes realizados em quilombos, dirigidos por realizadores quilombolas, negros e brancos aliados às lutas antirracistas no país.

As inscrições continuam abertas e podem ser feitas no site. O objetivo do evento é mostrar a diversidade dos quilombos brasileiros existentes no campo e nas grandes cidades. “Esperamos que esse levantamento amplo da produção de cinema nos quilombos assente as reflexões sobre as vivências e resistências dessas comunidades que, juntamente com os povos originários indígenas, comportam as manifestações profundas do que chamamos de povo brasileiro”, diz Maya Quilolo, quilombola e curadora da mostra.

A 1ª Mostra de Cinema dos Quilombos destaca o chamado em fluxo contínuo para recebimento de filmes de quilombos, abrindo caminho para mostras futuras. “Temos visto em parte dessa filmografia uma pulsão de rememoração dos tempos passados e também o desejo de denúncia em torno das ameaças que rondam o presente nas comunidades. Ampliar o debate em torno dessas imagens, por meio de mais mostras e rodas de conversa, nos permite discutir o próprio conceito de história”, afirma a pesquisadora e curadora Alessandra Brito.

Nas palavras da ativista Beatriz Nascimento (1989) “É importante ver que, hoje, o quilombo traz pra gente não mais o território geográfico, mas o território a nível (sic) de uma simbologia. Nós somos homens. Nós temos direitos ao território, à terra. Várias e várias e várias partes da minha história contam que eu tenho o direito ao espaço que ocupo na nação.”

Títulos
Sonhos de um negro
(Danilo Candombe, 2004)
O filme se passa nos tempos de cativeiro, com a vida sofrida dos negros trabalhando aos olhos do Feitor. Um sonho cheio de alegria e união. Um sonho de liberdade de um negro que acorda com a dor de uma chibatada, mas que ainda assim espera sua libertação.

Olhar caiçara na comunidade quilombola e Olhar quilombola na comunidade indígena (Rafaela Araujo, Marina Albino, Alexandro kuary, Patricia, Bianca Lucio, Eduardo xexeu, Antonio Garcia, Fabio Martins, Rafael Guedes, 2018)
Em 2018, em parceria SESC Cultural Paraty/RJ, foi realizada a ação “Trocando Olhares”, em que integrantes das comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas que criaram seis curtas metragens que tratam das questões ligadas ao território. Essa é a oportunidade de conferir esses diálogos cinematográficos.

A Sússia (Lucrécia Dias, 2018)
Ao som de caixas, pandeiros e bumbos, mulheres e homens de todas as idades cantam, tocam, batem palmas, dançam, recriam as tradições e recontam sua própria história na Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra.

As Contas do Rosário (Maycol Mundoca, 2020)
Apresentação da trajetória do grupo de Manifestação Afro-Brasileira: “Moçambique Zumbi dos Palmares”, que anualmente se apresenta na Congada, um cortejo popular realizado há séculos por descendentes de africanos em solo brasileiro. O grupo se situa em um quilombo urbano de onde emanam narrativas contra-hegemônicas.

Blackout (Adalmir José da SIlva, Felipe Peres Calheiros, Francisco Mendes, Jocicleide Valdeci de Oliveira, Jocilene Valdeci de Oliveira, Martinho Mendes, Paulo Sano, Sérgio Santos, 2016)
Quilombo de Conceição das Crioulas, Salgueiro, sertão pernambucano, nordeste do Brasil. Um filme sobre o invisível.

Nove águas (Gabriel Martins e Quilombo dos Marques, 2019)
Em 1930, Marcos e seu grupo de descendentes de escravizados saíram do Vale do Jequitinhonha rumo ao Vale do Mucuri. Fugindo da seca, da fome e da violência no campo, os quilombolas buscavam um novo território para construir sua comunidade. Dos tempos do desbravamento aos atuais, a história conta a luta por água e terra protagonizada pelos moradores do Quilombo Marques, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais.