Foto: Vitor Maciel

 

O samba feito em Minas Gerais tem particularidades marcantes, uma vez que desde suas primeiras criações sempre esteve influenciado por outras expressões musicais, sejam elas da região das montanhas ou vindas do Nordeste. Misturas sutis que tornam o samba mineiro distinto daquele que se faz no Rio de Janeiro ou na Bahia. Essa singularidade do samba mineiro pode ser apreciada no trabalho do cantor e compositor Márcio Nagô, sambista que trafega também com notável habilidade pelo baião, o xote, a toada e a bossa nova. Mas prefere definir seu trabalho de forma mais poética e sonora.

“Eu faço é sambaião”, ele diz, com graça. Isso porque além dos grandes nomes do samba (Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Jorge Aragão), Márcio Nagô é fã incondicional de Luiz Gonzaga e de outros ilustres nordestinos, como o acordeonista Sivuca. E sua obra autoral vem sendo construída na miscigenação dessas expressões musicais.

Márcio Nagô se lembra bem das primeiras músicas que surgiram em 1999. “Comecei a compor usando o pandeiro como instrumento. Passei a usar instrumento harmônico em 2001, depois de aprender a tocar cavaquinho.  Nessa época eu sabia da minha limitação com o instrumento, então eu fazia a toda a música primeiro; aí, sim, partia para elaborar a harmonia”, conta o artista. Em 2002, Nagô conhece o cantor e compositor Fabinho do Terreiro, que o apresenta ao ambiente do samba de Belo Horizonte.

Inspiração e método
“Acho inspiração em qualquer coisa, numa conversa, numa notícia, numa imagem, numa lembrança. Tudo me move. Não tenho uma fórmula ou fórmulas para escrever uma canção. Cada uma surge de um jeito. “Samba de Amor”, por exemplo, nasceu pronta: um dia, acordei com melodia e letra ‘na ponta da língua'”, diz. Para ele, é a inpiração que rege inicialmente o trabalho de criação e não um método. O compositor conta também que muitas vezes compõe já pensando nos arranjos e que a criação é um ato de prazer, nunca de obrigação. Uma ausência em seu vasto repertório são as canções em língua estrangeira. “É por causa do meu apego, o meu amor à palavra”, justifica. Por não falar outro idioma, o interesse por canções estrangeiras não é muito incisivo.