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Ainda segue proibida a reabertura dos estabelecimentos de ensino em grande parte do país. Diante de uma realidade em que é necessária a suspensão das aulas presenciais, muitos alunos enfrentam dificuldades em se adaptar à educação mediada pela tecnologia. Em Belo Horizonte, a situação de jovens que se preparam para os processos seletivos foi superada com a ajudinha especial de Cássio Luige, professor de um instituto de pré-vestibular na capital mineira.

Graduado pela UFMG, Cássio, 27 anos, que leciona a disciplina de História, teve a ideia de unir artes cênicas e música para motivar os seus alunos em pleno momento de pandemia, quando para grande parte deles, tudo parecia não ter solução. Alunos filmaram e editaram as filmagens. Já o vídeo? Tornou-se um viral nas redes sociais.

O professor explica que as duas maiores exigências do século para qualquer profissional que queira se destacar no mercado de trabalho ou nos estudos é adaptabilidade e a criatividade. “Vivemos em mundo extremamente fluido e se manter estático me parece ser a pior opção. Nessa pandemia, por exemplo, precisei me adaptar a rotina de aulas online, algo que eu ainda não havia feito e mais uma vez levar o meu trabalho para além de um professor tradicional”, conta.

Professor das voadoras
Parece até engraçado, mas o objetivo é bem sério! Conhecido em Belo Horizonte pelas suas ‘voadoras’ e os golpes de luta encenados em sala de aula pelo professor Cássio Luige faz uma comparação precisa de um vestibular a um campo de batalha para motivar os seus alunos a vencer. “Nesta analogia de comparar os estudantes aos guerreiros, eles precisam lutar. Lutar estudando. Num dia, falando sobre essa luta, dizia aos estudantes que precisam ‘bater’ nos concorrentes através da excelência em suas notas”, explica o professor que ainda completa: “Dei socos e chutes no ar e, no calor do momento, me aventurei a fazer uma voadora. Alguns alunos gravaram e o vídeo circulou em grupos de WhatsApp e stories em vários perfis no Instagram e então me tornei o professor das voadoras”.

O professor conta que depois deste fato, sempre que entra em sala, os alunos pedem para que ele faça as famosas voadoras em algum momento da aula. “Eu sempre espero o melhor momento, ensinando que a voadora é o golpe que precisam dar nos concorrentes através da sua qualificação. É necessário me desdobrar como cantor, ator e até lutador de artes marciais com minhas voadoras. Preciso ser mais atrativo que o celular ou outras distrações para prender a atenção dos meus alunos”, se diverte.

Desafio de alunos o levou a se reinventar
Antes de criar estratégias que pudessem prender a envolver uma interação produtiva entre os alunos, foi necessária a necessidade da escuta e da observação. Ele relata que através do seu método, visa não apenas ensinar, mas se pôr no lugar do aluno e ajudá-lo a chegar ao seu foco: “Tenho convivido com os meus alunos de perto, visto os seus medos e a falta de confiança em si mesmos diante do grande desafio de aprender em um ano de vestibular tudo o que deveria ter sido aprendido numa vida inteira de estudos. Há um grande déficit educacional no nosso país, de modo geral, até mesmo nas grandes capitais. Muitos dos meus alunos vêm do interior para a capital, passam o ano sozinhos aqui e estão no pré-vestibular com uma grande esperança de mudar de vida. Por isso nossa atuação vai além de um passador de conteúdos, porque o aluno está confiando em mim como alguém que tem as chaves para a porta que ele quer entrar. Preciso ajudá-lo a achar essas chaves e a se sentir capaz de encontrá-las”, conclui.