Foto: Renata Rêgo

 

Em 18 de março de 2020, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), decretou o fechamento de bares, restaurante, shoppings, cinemas, teatros, parques de diversão, casas de show e estabelecimentos da capital. A medida passou a vigorar em 20 de março de 2020.

Com a lei em vigor, o cenário do comércio na cidade passou por um momento de dissonância e encarou dificuldades por conta da ausência de compradores físicos. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) certificaram que mais 5,5 mil pontos acabaram encerrando as atividades e 35 mil pessoas perderam o emprego apenas nos três primeiros meses da pandemia – 20 de março à 20 de junho.

Para o empresariado, o impacto não demorou a vir. Um exemplo foi o do sócio da Funtasy Bar e Jogos, um bar na região da Savassi que oferece entretenimento aos clientes através de jogos de tabuleiro. “Nossa operação teve ser praticamente reinventada com a pandemia. A gente se viu impossibilitado de funcionar desde o dia 20 de março. Quatro dias antes de fechamento do comércio acontecer, precisamos encontrar uma estratégia para não fechar as portas. Então desenhamos um modelo de aluguel dos nossos jogos e conseguimos sobreviver com o negócio”, conta.

Case de sucesso

Diante da crise, lojistas precisaram procurar ferramentas paralelas e pensar em estratégias para não perder o estoque e manter as vendas aquecidas no período de pandemia. Um dos recursos encontrados para alavancar as vendas no período é o aproveitamento do meio virtual.

Os sites de vendas já confirmam os impactos positivos causados pelo novo coronavírus. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), entre abril e maio as lojas virtuais registraram um aumento superior a 180% no volume de vendas em transações nas categorias alimentos, bebidas, beleza e saúde.

Para cumprir as orientações de isolamento social, os acessos ao e-commerce atingiram os picos de vendas, assim como registrados em tempos de black friday, situações em que em apenas um dia são alcançados números de comercializações previstos para o período de trinta dias.

Case de sucesso

Mas todo esse sucesso no número de vendas não está ligado apenas ao comportamento dos consumidores neste momento de isolamento social. Por trás desse processo há um gancho crucial: o marketing digital.

Mercadinhos, papelarias, lojas de roupas e sapatos, lavanderias e por aí vai. Se antes esses empreendimentos usavam a tecnologia apenas para o básico de seus processos administrativos e contábeis, agora tem o desafio de se digitalizar, sendo o e-commerce uma possível solução para que continuem entregando seus produtos e serviços.

Magno Martins defende que é preciso entender que o marketing digital possui ferramentas (foto: arquivo pessoal).

Para o especialista em marketing digital, Magno Martins, é necessário ter em mente que a venda é uma consequência de boas ações e uma caracterização do perfil do vendedor nos meios digitais. “A venda nos meios digitais acontece depois de uma boa construção de reputação da marca nos meios digitais. Isso só é possível se for realizado com um conteúdo relevante. Ter um planejamento estratégico em cada ecossistema digital que a marca estiver presente”, esclarece.

Magno acredita que mais importante do que dominar as estratégias que o marketing digital pode oferecer para sua marca é o estudo sobre a área de atuação ou do tipo de produto oferecido. Para o especialista, é essencial compreender as vertentes do que se trata o marketing digital, mas também é necessário ter o contexto alinhado com um planejamento a curto, médio e longo prazo.

“Tire os olhos das métricas de vaidade como quantidade de seguidores, visualizações de vídeos, quantidade de leads e vá pelo caminho da qualidade de um conteúdo consistente e coerente para seus clientes. Por mais que o seu negócio precise vender, entenda que o marketing digital é muito além disso. Ele conecta sua empresa com propósitos evidentes para cultivar boas experiências com as pessoas que você alcançar”, pontua.

Case de sucesso

Pontapé inicial
Primeiro é necessário compreender que as ferramentas são apenas os meios para executar ações. O Marketing, seja ele o tradicional ou o digital, é uma área que estuda estratégias para que seus objetivos sejam alcançados com projeção de produtos, serviços e marcas nos meios que se estabelece. Para avançar no seguimento, Magno Martins defende que é preciso entender que o marketing digital possui ferramentas, mas empresários e profissionais da área precisam compreender como que cada uma funciona e o que pode ser aplicado a curto, médio e longo prazo. Então, a visão estratégica é a base de tudo.

“Após isso bem consolidado, independentemente do tamanho da empresa, é preciso buscar os principais recursos para dar uma visibilidade para as empresas nos meios digitais. Então o empresário precisa realizar um benchmarking (pesquisa de concorrência) em seu nicho de mercado para entender quais são as estratégias que seu mercado aplica. Ao mesmo tempo, entender o que suas personas buscam dentro do seu nicho para então depois utilizar as ferramentas necessárias para consolidar a marca nos meios digitais, como mídias sociais, seu próprio site para ter o seu espaço próprio nos meios e, com as estratégias de conteúdos por meio de textos, podcasts, imagens e vídeos” explica.

Case de sucesso

Outra dica importante está ligada a forma na qual o planejamento é elaborado. Apesar do objetivo central ser vender mais, a maior parte do conteúdo oferecido precisa ser informativa. “Temos uma régua no Marketing Digital que é: 80% dos seus conteúdos precisam ser informacionais, com dicas, curiosidades e conhecimento, e os outros 20% de conteúdos de vendas. Com esse equilíbrio de conteúdo, fica mais evidente quais são os primeiros passos para ter uma boa reputação nos meios digitais e, consequentemente, realizar suas primeiras vendas”, aconselha.

Negócios mineiros avançam
Uma pesquisa feita pelo Sebrae, entre os dias 30 de abril e 5 de maio, 34% dos empreendimentos mineiros estão apostando nas vendas pelas redes sociais, sites, aplicativos ou telefone. Ainda de acordo com o estudo, 44% dos estabelecimentos mineiros tiveram que adaptar o funcionamento do seu negócio.

Entre os pequenos negócios, a maior aposta está nas redes sociais. Cerca de 32% das empresas aproveitam de canais como Instagram, Facebook e WhatsApp para angariar compradores. Ainda sobre os pequenos negócios, aplicativos de entrega tem uma fatia de 10% dos serviços em plataforma digital e 5% estão vendendo pelo site com o apoio do e-commerce.

Além dos canais de vendas online, os empresários podem adotar estratégias que influenciam na decisão do cliente. Um exemplo é oferecer flexibilidade na troca de produtos, estender o prazo e não cobrar valores de frete.

Case de sucesso

“Uma empresa de grande porte pode investir em uma ferramenta de e-mail marketing para comunicar semanalmente com seus clientes por e-mail. Já uma empresa de pequeno porte, pode utilizar esse recurso para iniciar uma captação de leads em seu site, blog e mídias sociais para iniciar esse tipo de estratégia”, esclarece Magno Martins.

Mercado em crescimento
Desde 2018, o Brasil é o país que possui o maior comércio digital da América Latina. Em 2019, foram R$ 133 bilhões em faturamento proporcionado por 36% da população brasileira, segundo a 4ª edição da Webshoppers, pesquisa realizada pelo e-bit.

Case de sucesso

Dados da plataforma de vendas Nuvemshop revelam que as transações online cresceram 175% no mês de abril de 2020 se comparado ao mesmo período do ano passado. Isso considerando o fato de ter sido o primeiro mês completo em que as lojas ficaram fechadas por conta do isolamento social.

Para atender a demanda, existem, inclusive, empresas que auxiliam os lojistas a progredirem com as vendas utilizando ferramentas de marketing digital. “A partir da clareza do que o serviço ou produto realmente oferece, é possível mapear oportunidades e estabelecer prioridades para o negócio. Estabelecemos alguns pontos iniciais, mostramos como fazer pesquisas levando em consideração diversos aspectos, como análise de concorrência direta e indireta e a transposição do negócio analógico para o ambiente virtual”, explica Melina Alves, fundadora e CEO da DUXcoworkers, que há 10 anos desenvolve soluções para auxiliar as empresas a se desenvolverem e superarem obstáculos por meio de UX/User Experience e inteligência coletiva para a inovação.

Nesta imersão, os empreendedores começam a compreender melhor seus negócios, conhecendo seus pontos fortes e suas fraquezas. Desta forma, são capazes de trabalhar com foco e mais agilidade para reinventarem seu empreendimento voltado ao interesse do seu cliente. “É disso que se trata a migração do analógico para o digital. Não basta uma loja virtual, uma plataforma segura e investir tempo e dinheiro em marketing digital. Não podemos oferecer a experiência vivida presencialmente se a levarmos como uma cópia exata do que ela é fisicamente para o ambiente digital. É preciso reinventá-la”, finaliza Melina.

Case de sucesso

Erros com o marketing digital
“O Marketing Digital vai não trazer resultados expressivos a curto prazo”, certifica Magno. “Não funciona assim e isso frustra muitos empreendedores. Como disse, é um investimento e os resultados não são da noite para o dia. A construção da reputação de uma marca leva o tempo necessário para cada segmento de mercado e, convenhamos, só compramos de marcas que confiamos. Essa confiança é construída por meio de conteúdos relevantes e interações nos canais digitais”.

Outros erros de cotidiano também são apontados. Um exemplo é a falta de resposta à comentários – sejam eles para dúvidas, questionamentos ou reclamações. A ausência desta comunicação prejudica a imagem da empresa dentre os meios digitais porque as pessoas são mais habituadas a compra quando enxergam uma preocupação da marca em atender todas as pessoas, independentemente da interação.

Essa atitude é comparada ao atendimento presencial de um vendedor em uma loja física. O pensamento é de que mídias sociais são canais de relacionamento e, apesar de ainda estar em ascensão, esse modelo já apresenta ampla concorrência de mercado com adesão de grandes redes varejistas, como as Lojas Americanas, Magazine Luíza, Extra, Grupo Guararapes e Via Varejo.

A falta de planejamento também figura entre os erros mais cometidos e que mais atrapalham o desenvolvimento das empresas no mundo digital. “De nada adianta permear nesse ecossistema e não ter consistência em suas publicações e ações com seus clientes. Por mais que tenhamos a facilidade do mobile, por exemplo, onde tudo está na palma de nossas mãos, atuar sem estratégia traz mais riscos de experiências ruins do que boas. Então planeje sempre”, orienta.

Case de sucesso