Foto: Bruno Soares

 

Obrigados a suspender as suas atividades desde o mês de março deste ano, quando a pandemia de Covid-19 começou a assolar o mundo, milhares de trabalhadores do setor de eventos viram suas rendas serem zeradas de forma abrupta. O setor entrou em uma crise sem precedentes. Em algumas cidades brasileiras, o segmento começa a retomar as atividades de forma gradual, mas em Belo Horizonte ainda não existe uma previsão para o retorno.

Por isso, os profissionais da área mobilizam uma manifestação para o dia 5 de outubro, a partir das 15h, com uma passeata que reunirá técnicos, produtores, artistas e outros agentes da indústria do entretenimento, que sairão da Praça da Liberdade e seguirão até a porta da Prefeitura Municipal, vestidos preto e clamando por socorro.

De acordo com Ederson Clayton, que integra a diretoria da AMEE – Associação Mineira de Eventos e Entretenimento, o objetivo desta mobilização é unir as forças com profissionais e empresas do segmento para gritarem por ajuda ao poder executivo municipal da capital mineira. “O setor cultural é responsável por 2% do PIB brasileiro, e, incluindo os eventos, emprega 5,2 milhões de trabalhadores.  E não há nada que possamos fazer sem que exista um faturamento. Os caixas das empresas estão zerados, não há previsão de receita, mas as responsabilidades e contas continuam existindo. Os salários de funcionários terão que ser pagos (ou possíveis rescisões), assim como os respectivos impostos, além de outras despesas fixas como aluguel, água, luz, comunicação, serviços de manutenção etc. Se nada for efetivamente feito, 2020 será marcado como o ano em que mais empresas de eventos fecharam as suas portas em toda a história. O nosso setor está agonizando”, diz o profissional.

Diversos artistas abraçaram a causa e utilizaram as redes sociais para convocar todos os trabalhadores do segmento de eventos para a mobilização. O vocalista do grupo Sorriso Maroto, Bruno Cardoso, gravou um vídeo para ajudar na campanha. “Eu estou aqui para convocar você, que faz parte da indústria de eventos, cultura, arte e lazer, para pedir a sua ajuda para que entre nessa corrente junto com a gente. Venham de preto, porque a gente vai gritar socorro, para que olhem para o nosso setor. A gente precisa voltar a trabalhar”, disse.

Vários outros artistas também utilizaram os seus canais de comunicação para ajudar a mobilizar toda a cadeia de eventos de Belo Horizonte, como DJ Nest. “O setor se eventos é responsável por várias experiências inesquecíveis que você viveu, como uma festa de casamento, uma balada, uma festa formatura, Todos os setores estão voltando, menos o setor de eventos”, diz Nest.

Figuras populares do cenário musical e do entretenimento também aderiram à manifestação, como, Netinho de Paula, João Lucas & Diogo, Rick & Nogueira, Palhaço Pimentão, Alan & Alex, Bim do grupo Pique Novo, o apresentador e jornalista Marcos Maracanã e muitos outros.  “Vamos reunir o pessoal da música. O setor de eventos foi o primeiro a parar e será o último a retornar. Estamos esquecidos e precisamos trabalhar. A gente pode voltar a trabalhar de forma consciente e segura, diz o músico de folk mineiro Santero.

Para participar da mobilização, a AMEE – Associação Mineira de Eventos e Entretenimento pede que os profissionais estejam na Praça da Liberdade, vestidos de preto, às 15h. “O intuito não é atrapalhar a rotina da cidade, mas sim chamar a atenção do poder público e da sociedade para a importância do setor de eventos para a cultura, o entretenimento e à economia. Não é só festa. É trabalho, é economia, são vidas. Por isso, vamos fazer a nossa passeata pacificamente e todas as autoridades competentes já foram comunicadas”, completa Ederson Clayton, diretor da AMEE.