A autora Cida Vidigal é advogada e coordenadora do curso de direito da Faculdade Batista de Minas Gerais (foto: arquivo pessoal)

Nos últimos meses, a pandemia do COVID-19 promoveu diversas mudanças, em todos os setores da sociedade e, na educação, não foi diferente. Mais de 1 bilhão e 600 milhões de estudantes e professores, em todo o mundo, ficaram impossibilitados de frequentar os espaços físicos de instituições educacionais.

Em decorrência desse cenário, o Ministério da Educação (MEC), em junho de 2020, editou a Portaria nº 544, que estendeu a substituição das disciplinas presenciais, em cursos regularmente autorizados, por atividades letivas que utilizem recursos educacionais digitais, tecnologias de informação e comunicação ou outros meios convencionais, por instituição de educação superior integrante do sistema federal de ensino até 31 de dezembro de 2020, o que significa que mais pessoas estarão inseridas no ambiente digital no segundo semestre deste ano.

Recentemente, em 06/10/2020, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou um parecer que permite a continuidade do ensino remoto na educação básica e superior até o dia 31 de dezembro de 2021. A proposta aprovada no colegiado recomenda ainda que os sistemas de ensino não reprovem os estudantes. Ressalta-se que o texto ainda precisa ser homologado pelo Ministério da Educação (MEC).

Em virtude dessas transformações necessárias por causa da pandemia, instituições de ensino do Brasil estão optando, sem caráter obrigatório, pelo Ensino Híbrido, também conhecido como blended learning. Esse modelo de ensino, considerado pelos estudiosos como o único jeito de transformar a educação, mistura os principais elementos do ambiente de aprendizagem online com os do presencial, aplicando o que cada um desses espaços tem de melhor.

É importante ressaltar que diante dessa difícil situação a necessidade de se reinventar é grande. Professores da educação básica ao ensino superior que até então nunca ministraram aulas remotas começaram a preparar planos de aula online, vídeo aulas e demais conteúdos a serem transmitidos pela internet. Em grau, talvez, essa dificuldade também foi enfrentada pelas escolas públicas que tiveram, por exemplo, que se adequar aos novos tempos por mediação dos estados e municípios.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Península, entidade que promove ações e pesquisas na área da Educação, comprova que, se no mês de abril, 83% dos professores se diziam despreparados para as aulas virtuais, em agosto, esse número caiu para 49%.

No Brasil, o empecilho para a implementação do ensino híbrido é a grande falta de acesso à computação, aos eletrônicos e à internet. Caso os governos tenham intenção em levar essa medida à frente, deve-se pensar em políticas que ofereçam recursos aos estudantes e, ainda, garantam mais qualidade no sistema educacional.

Numa perspectiva otimista, são inegáveis os benefícios do ensino híbrido como, por exemplo, a melhoria na qualidade dos trabalhos do educador, na organização das escolas e faculdades, a economia de tempo de deslocamento, a possibilidade de atendimento aos alunos em qualquer lugar, redução de ansiedade e estresse, dentre outros.

Tudo isso, força os alunos a assumirem posturas mais autônomas, tendo em vista o fato de estarem mais livres para pesquisas de conteúdos diversos. Nesse contexto, o estudante passa a ser o agente ativo na construção colaborativa da informação, portanto na construção de saberes.

Enfim, a crise parece estar se tornando uma oportunidade para aprendermos e para sermos mais criativos. É um momento impar vivido pelo mundo educacional que deve ser visto como a oportunidade de unir o mundo digital às experiências e, ao mesmo tempo, o compartilhamento destas.