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Com a pandemia da Covid-19, a rotina de várias pessoas mudou completamente no Brasil e no mundo. Com isso, se adaptar a essa nova realidade tem sido um desafio, tanto para pais e responsáveis, quanto também para os filhos, principalmente quando se trata de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) associado à deficiência intelectual. Quando as duas condições coexistem, o indivíduo demanda atenção e cuidados específicos, por esse motivo, o CENSA Betim, instituição com 56 anos de história e referência nacional, compartilha dicas da sua equipe transdisciplinar para que familiares e cuidadores saibam como agir durante esse momento complicado.

De acordo com Gizele Martins, Mestre em Psicologia pela UFMG e psicóloga do CENSA Betim, que atende pessoas com deficiência intelectual associada a outras deficiências, síndromes e transtornos, como o TEA (Transtorno do Espectro Autista), é importante compartilhar os conhecimentos com quem tem alguém com estas condições na família. “Queremos ajudar as pessoas a enfrentar os desafios impostos por este período de isolamento social imposto pela COVID-19, de uma maneira tranquila e confiante. Com o isolamento, é preciso cada vez mais, se reorganizar para ficar em casa com todo conforto e segurança”, comenta.

Segundo Gizele Martins, esse momento pode ser mais difícil para as pessoas com autismo, mas ela afirma que o melhor caminho é não esconder a situação que elas estão vivendo com a pandemia. “No caso de pessoas com autismo associada a deficiência intelectual, esse momento de distanciamento social, pode ser mais complicado. Por isso, é importante que primeiramente o indivíduo esteja ciente do que está acontecendo, respeitando obviamente sua capacidade de compreensão e assimilação dos fatos. Entender por que ele – e todas as outras pessoas – estão tendo que ficar em casa lhe dá um sentimento de pertencimento e facilita sua aderência ao isolamento, por mais que haja resistência no início. Quando a pessoa pergunta o que está acontecendo e a família lhe nega os fatos, ele pode por vezes se sentir lesado e agravar sentimentos negativos”, diz.

Para a psicóloga, pessoas com deficiência intelectual e autismo se beneficiam muito de uma rotina estruturada com horários e atividades bem estabelecidas. Durante a pandemia, é altamente recomendado que a família mantenha uma agenda bem parecida com a dos dias habituais. “É importante ter horário para acordar, almoçar, fazer atividades, descanso e horário pra brincadeiras. A manutenção da rotina reduz a ansiedade e dá ao indivíduo mais segurança sobre o que ele fará durante o dia, além de proporcionar a todos um ambiente mais estruturado. A família precisa adequar a rotina com a realidade da casa e não há necessidade de encher a agenda do indivíduo de atividades se não houver como administrar isso em família”, indica.

Soluções simples e práticas para o dia a dia
Com a situação atual da pandemia, as mudanças de comportamento podem se tornar mais frequentes. Crises de ansiedade, de comportamentos obsessivos ou o aparecimento de comportamentos estereotipados podem ser mais rotineiras na vida dos educandos com autismo e deficiência intelectual. “Sendo assim, é importante que a família mantenha um guia de soluções que variam de pessoa para a pessoa. Ao menor sinal de uma crise, os responsáveis podem lançar mão de atividades como massinha, banhos relaxantes, massagens, filmes, desenhos ou até mesmo conversas que tranqüilizem a pessoa. Neste caso é indispensável que a família tenha claro qual tipo de atividade é prazerosa para aquele indivíduo. Além disso, manter a união sempre em primeiro lugar”, conclui.