Foto: Renato Weil

 

Com a pandemia da Covid-19, veio o isolamento social em todo o mundo e em decorrência deste esvaziamento de espaços nas cidades, muitos animais saíram de seus habitats naturais e foram para os centros urbanos.

Na Índia, foi possível ver vacas andando por avenidas movimentadas, veados nas portas das casas, peixes no canal de Veneza, na Itália e no Brasil não foi diferente. Já há um movimento, de muitos anos, onde os animais selvagens vão até espaços demasiadamente ocupado por humanos, mas em 2020, esse fenômeno se intensificou.

Em outubro, uma onça foi encontrada no quintal de uma casa na cidade de Congonhas, na região Central de Minas Gerais. Também em outubro deste ano, um lobo-guará foi encontrado morto na rodovia BR-267 em Poços de Caldas, sul de Minas. Esses exemplos podem ser causas graves do desequilíbrio ambiental, causado pelas queimadas, desmatamento, poluição do meio ambiente e das águas.

Segundo o SOS Mata Atlântica e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), duas cidades mineiras estão entre as 10 que mais perderam hectares da Mata Atlântica. Gameleiras, no norte do estado e Jequitinhonha, com 434 e 191 hectares desmatados respectivamente.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, aponta um aumento de 28% no número de animais silvestres capturados em centros urbanos. Para a bióloga, professora especialista em tecnologias ambientais, Fernanda Raggi, isso se deve por uma série de fatores. Durante a primavera, devido à melhor condição climática, de oferta de alimentos e ser um período para a reprodução das espécies, eles saem em busca de alimentos. Outro fator é a degradação de matas nos parques urbanos. “A gente pensa que parque urbano não tem bichos, mas tem sim. O que acontece é que com a redução desses habitats, eles saem em busca de novos ambientes para conseguir água, alimento e abrigo”, afirma.

Passado o primeiro turno das eleições municipais, Fernanda ainda complementa sobre a responsabilidade dos municípios em preservar parques urbanos. “Hoje temos uma atenção maior à preservação de reservas, inclusive em propriedades particulares a nível estadual e federal. Nos municípios há áreas ambientais muito ricas, mas que não são devidamente protegidas”.

Os animais saindo de suas áreas nativas, correm um risco a mais, além da degradação dos habitats, o risco de agressão e até de serem mortos pelas pessoas, por medo deles. Para a bióloga, as políticas públicas além de proteger, devem realizar uma ação educativa para que a população saibam agir caso um animal silvestre entre em sua propriedade particular. “Para que não haja risco para esses animais, que muitas vezes estão ameaçados de extinção, cabe realizar políticas públicas para que oriente a população diante da educação ambiental, principalmente na esfera municipal”, explica.

O Corpo de Bombeiros é especialista na captura adequada de animais silvestres e devolução da espécie ao seu habitat natural, além de fornecer o cuidado adequado, caso o animal esteja machucado. Para recorrer aos Bombeiros, o número é o 193.