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Ao ser diagnosticado com algum tipo de câncer, o paciente recebe não só o impacto do diagnóstico, mas também informações e orientações que levam a uma brusca mudança nos hábitos diários e que influenciam nos passos seguintes do tratamento. Esse choque de realidade pode causar desconforto e desmotivação, além de frequentemente deixar, tanto o paciente quanto os familiares, perdidos em relação as medias a serem adotadas para iniciar o tratamento.

Para esse impacto ser menor, o recomendado pela comunidade médica é que haja um acompanhamento multidisciplinar, que apoia e acolhe o paciente desde o momento do diagnóstico até a finalização do tratamento. Estudos demonstram que a abordagem multidisciplinar do paciente já no pré-operatório é mais efetiva do que os cuidados que são iniciados após tratamento cirúrgico.

Em Belo Horizonte, o Hospital Felício Rocho, através do grupo Onco-Procto, já adota essa conduta. A Instituição implantou a Pré Habilitação Cirúrgica para os pacientes que serão submetidos ao tratamento cirúrgico do câncer colorretal. Essa abordagem interdisciplinar envolve a coloproctologia, anestesiologia, oncologia, radioterapia, nutrologia, nutrição, cardiologia, psicologia, enfermagem e radiologia.

Segundo o médico coloproctologista, Dr. Fábio Lopes, além da avaliação cardiológica e anestesiológica, que já eram rotina, agora o paciente tem um atendimento que permite cuidar não somente da doença, mas também assisti-lo em sua completude. “O paciente passa por avaliação com o serviço de nutrição, para receber um plano de recuperação nutricional e avaliação com a fisioterapia, para receber um plano individualizado de otimização cardiorrespiratória e funcional. Além disso, passa por avaliação psicológica para receber suporte emocional de acordo com sua necessidade e vontade”, explica.

São muitos os benefícios da estratégia. A abordagem multidisciplinar reduz a taxa de infecção no pós-operatório, permite o início mais rápido da alimentação, reduz a taxa de complicações, facilita a recuperação de pacientes que, eventualmente, tenham alguma complicação pós-operatória e reduz, também, o tempo geral de internação.

Um exemplo foi o do paciente Luiz António Pereira. Ele não acreditava que a consulta com um psicólogo faria alguma diferença no seu tratamento, mas já no atendimento pré-operatório percebeu claramente os benefícios da abordagem multidisciplinar.

Em seu relato, Luiz mostra a surpresa com o sucesso do tratamento. “Fui orientado a procurar os serviços nos 10 dias que antecederam a cirurgia. Apesar do curto espaço de tempo, todos os atendimentos me surpreenderam e foram preponderantes na minha recuperação”.

O médico do Hospital Felício Rocho ainda conta o quanto é impressionante a melhora na qualidade pós-operatória nestes casos. Muito devido a maturidade positiva e à motivação que o paciente adquire para encarar a doença. “Com o atendimento integral os pacientes ficam mais envolvidos e proativos na adoção de medidas importantes para sua própria recuperação, fazendo essa jornada ser mais leve e humanizada. São incríveis os resultados”, conta Dr. Fábio.