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O IPO, sigla em inglês para “Initial Public Offering” ou Oferta Pública Inicial em português, se refere a operações de venda inicial de títulos renda fixa como CRIs, CRAS e debêntures, fundos e, principalmente, ações. A recuperação do mercado de ações após o tombo no primeiro trimestre de 2020 levou empresas a retomarem o até então perceptível movimento de captação de recursos por meio de oferta pública junto à investidores.

Com a Taxa Básica de Juros na mínima histórica de 2% ao ano, somada à rápida recuperação do mercado de ações com o Ibovespa voltando aos topos históricos, após tombo ocasionado pela pandemia do Novo Corona Vírus, companhias veem o momento como propício para captarem dinheiro junto a investidores por meio de ofertas públicas. Para as empresas, o atual momento é uma boa oportunidade de captar recursos para diversos fins, sejam projetos que podem acelerar a expansão dos negócios, quitar eventuais dívidas, e até mesmo de gerar exposição positiva do mercado acionário o que traz uma maior projeção para as companhias.

Especialistas defendem que neste momento é preciso cautela ao ofertar fatias das empresas no mercado de capitais. Isso porque as vendas de papéis precisam ter potencial de despertar o interesse dos investidores, não só no que tange à atratividade do negócio ofertado, como também pelos múltiplos negociados. Buscar um preço justo para as ações de uma empresa é uma tarefa complexa que envolve inúmeras variáveis e, caso mal feita, pode significar o fracasso da captação.

Contudo, para ser concluído o processo de IPO, os controladores da empresa ainda são beneficiados com o aumento da liquidez em um possível interesse de venda de parte do que ainda detêm do capital social da companhia, mas cuidados devem ser tomados. A facilidade em vender parte da companhia é mais um ponto positivo de destaque para os controladores de empresas listadas na bolsa de valores, entretanto, como essas vendas precisam por lei ser informadas ao mercado, pode acontecer da notícia soar mal e gerar desconfiança dos investidores, podendo ocasionar a desvalorização do preço das ações.

O momento é tão favorável para tomada de risco por parte dos investidores, que analistas afirmam que mesmo que a Selic termine o ano por volta de 4%, o dobro do praticado atualmente, ainda teremos juros considerados baixos para os padrões brasileiros, mantendo em alta a atratividade dos investimentos em ações. Para entender um pouco mais deste cenário promissor, conversamos com Mateus Galhardo, Assessor de Investimentos da 3ª Investimentos – um dos maiores escritórios de investimentos do Brasil.

Mateus Galhardo, Assessor de Investimentos da 3A Investimentos (foto: divulgação)

O que é renda fixa e qual é a relação com IPO’s?
Renda fixa é uma categoria de investimentos em que o rendimento é sabido pelo investidor no momento da contratação do produto, ou seja, o valor nominal do investimento só tem rendimento positivo, são investimentos popularmente conhecidos como “seguros” ou “conservadores”. A relação com os IPO’s com a renda fixa é de que as ofertas públicas iniciais (IPO’s) podem ofertar produtos de renda fixa, como CRIs, CRAs e Debêntures.

Este é um investimento a curto, médio ou longo prazo? 
IPO’s são as ofertas públicas iniciais que as empresas fazem ao mercado para captar recursos. Essas ofertas podem ser de diversos produtos, tanto as ações que são investimentos de renda variável (o valor da ação oscila com o passar do tempo), investimentos de renda fixa ou fundos de investimentos que podem ser tanto de renda fixa quanto de renda variável. Logo, diante das amplas possibilidades que o universo dos IPO´s abrange é impossível determinar um “prazo ideal” para o investimento, até porque esse prazo é muito pessoal e depende da estratégia de cada investidor.

O que uma empresa precisa para apostar nos IPOs?
Primeiro, a vontade de captar recursos no mercado financeiro e projetos que justifiquem essa captação. Depois há um processo com vários requisitos a serem cumpridos, com a solicitação de registro na Comissão de Valores Mobiliários e de listagem na BM&FBovespa.

Quais os riscos de se investir em um IPO?
Os riscos são muito variados dependendo de cada modalidade de investimento. Para os IPO’s de ações podemos destacar o risco do investidor não ter acesso ao histórico da companhia já que não há relatórios e balanços disponíveis para análise no momento da oferta podendo acontecer da empresa não se mostrar tão eficiente ou lucrativa quanto parecia.

O que não se pode fazer ao entrar nessa aposta?
O ideal é que o investidor conheça o produto que está contratando, não só em investimentos por meio de IPO’s mas como todos os outros investimentos. O investidor precisa conhecer da melhor forma possível a empresa que está investindo para poder avaliar o risco/retorno daquela operação.

Caso a taxa de juros volte a subir, o cenário de IPO’s pode mudar?
Analistas entendem que o prêmio atualmente pago pela “renda fixa tradicional” acaba motivando o investidor a buscar outros tipos de investimentos e isso causa um cenário positivo para que empresas busquem IPO´s o que se torna favorável não só para o investidor como para as empresas. Títulos públicos, investimentos que trazem o menor nível de risco, têm sido preteridos em detrimento do prêmio inferior a outras aplicações, como ações e títulos privados que são oferecidos por meio de IPO’s.

Será que essa fase de investimentos em IPO pode passar?
Muito difícil precisar o horizonte dos IPO’s no Brasil, mas a demanda pelas ofertas tem relação com o retorno que é pago em investimentos com baixo risco como os títulos públicos e a confiança dos investidores do ambiente econômico do Brasil e o quanto isso poderia impactar em resultados adversos como balanços deficitários ou possíveis calotes quando se trata de investimentos em renda fixa, o que impactaria no resultado dos investimentos.