No acumulado de janeiro a fevereiro de 2021, as exportações do agronegócio mineiro somaram US$ 1,13 bilhão e volume de 1,04 milhão de toneladas. Isso representa um crescimento de 8,1% na receita e 3,9% no volume, em relação ao mesmo período do ano passado. Os produtos de Minas Gerais foram enviados a 142 destinos diferentes, entre eles: Estados Unidos (15,5%), Alemanha (11,9%), China (11,8%), Bélgica (7%) e Japão (5,9%).

Análise da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) aponta que o aumento do preço praticado no mercado internacional de algumas commodities corroborou para o bom resultado, atingindo o valor médio de US$ 1.084,39 a tonelada. A assessora técnica da Superintendência de Inovação e Economia Agropecuária (Siea) da Seapa, Manoela Teixeira, explica que entre os principais fatores que contribuíram para o crescimento no primeiro bimestre está o desempenho do café, que puxou para cima a receita da pauta exportadora.

“Também houve alta demanda de países parceiros, principalmente os asiáticos, e ainda tivemos aumento nas compras de alguns países da América do Sul, como o Chile. Com o avanço da vacina no hemisfério norte, a expectativa para 2021 segue positiva, já que a palavra de ordem é de retomada da economia, a exemplo da China, que sinalizou uma previsão de crescimento na casa de 7%”, afirma.

Produtos

Foto: Iaçanã Woyames

Os cinco principais produtos da pauta exportadora mineira foram café (61%), carnes (12%), complexo sucroalcooleiro (9%), produtos florestais (9%) e complexo soja (2%).  Com US$ 684,79 milhões e 5,1 milhões de sacas exportadas, o café, produto mais expressivo da pauta mineira de exportações, alcançou nos dois primeiros meses do ano a melhor receita desde 2015 e o maior volume desde 2014. Ao comparar os números com o resultado do mesmo período do ano passado, o incremento foi de 13,8% na receita e 17,6% no volume.

“Vale destacar a venda de extratos e sucedâneos do café, que aumentaram consideravelmente e ajudaram a puxar para cima a receita do setor, com preços até 25% maiores do que em 2020”, explica a assessora técnica da Seapa. Todos os principais parceiros comerciais do estado aumentaram suas compras, como Estados Unidos (US$ 146 milhões), Alemanha (US$ 132 milhões), Bélgica (US$ 78 milhões) e Japão (US$ 50 milhões).

As carnes acumularam US$ 134 milhões e 45 mil toneladas embarcadas no período, um decréscimo de 1,8% na receita e aumento de 12,8% no volume. As proteínas bovinas e suínas, que tiveram grande saída no ano passado, vêm apresentando arrefecimento nas vendas, com declínio de 6,1% e 37,4%, respectivamente.

“Mesmo com as reduções neste bimestre, para as carnes bovina e suína a expectativa é positiva para o ano de 2021. Já a carne de frango apresentou melhor desempenho no primeiro bimestre, com receita de US$ 31 milhões e volume de 20 mil toneladas, aumentos de 23,2% e 48,5%, respectivamente”, explica Manoela.

O complexo sucroalcooleiro teve diminuição nas vendas, com registros de US$ 101 milhões e 338 mil toneladas. A movimentação do mercado internacional, indicando grande oferta mundial de açúcar e queda no preço do petróleo, foram fatores que influenciaram o comportamento da commodity nos primeiros meses do ano.

Em contrapartida, os produtos florestais obtiveram alta de 43% na receita (US$ 96 milhões) e de 29% no volume (239 mil toneladas), sendo a celulose o item que sustentou o resultado positivo. O complexo soja segue sofrendo arrefecimento nas vendas, com receita de US$ 23 milhões (-36%) e 41 mil toneladas (-72%). Isso foi ocasionado pela diminuição das compras chinesas em comparação ao boom ocorrido em 2020. A queda afetou o desempenho do setor que, mesmo com a entrada de novos parceiros, como Índia, Polônia, Bélgica, Colômbia e Bangladesh, não foi capaz de reverter a queda em relação ao ano anterior.