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Tosse, dificuldade para respirar, irritação na garganta, coriza, febre e falta de ar. Todos esses são sintomas clássicos de Covid-19, mas, além da infecção causada pelo coronavírus, esses sinais também podem indicar outras doenças bastante comuns neste período do ano de tempo seco e baixa umidade do ar.

Asma, bronquite, sinusite, rinite e outras comorbidades respiratórias que afetam o sistema respiratório intensificam durante o outono e o inverno. Essas doenças podem ser facilmente confundidas com a Covid-19. Ainda mais, considerando o crítico momento da pandemia no Brasil.

O médico pneumologista do Hospital Felício Rocho, Dr. Leonardo Meira, orienta a respeito dos diferentes tipos de infecção. “Essas doenças afetam severamente a região da mucosa nasal e trato respiratório superior. Por isso provocam manifestações clínicas similares ao da Covid-19, que são na maioria dos casos os sintomas respiratórios. Porém, a Covid-19 pode acarretar desordens clínicas que comprometem outros sistemas do corpo humano, tornando o diagnóstico inicial quando os sintomas ainda se assemelham mais difícil ”.

O médico esclarece que a detecção e a distinção destas doenças somente acontecem após exames e a testagem. “Asma, bronquite, rinite, sinusite e outras doenças similares, apesar de não terem cura aparente, são facilmente controláveis caso diagnosticadas desde cedo. Já a Covid-19 possui evolução conhecida e manejo específico diante do perfil clínico e gravidade de cada situação, síndrome gripal ou síndrome respiratória aguda grave, com demanda específica diante de cada cenário”.

“A detecção dessas doenças em estágio inicial é de extrema importância e para a investigação sobre qual é a doença que de fato acomete o organismo, o ideal é a realização de exames e testes laboratoriais e avaliações clínicas”, alerta o pneumologista.

Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, divulgada em 2018, as doenças respiratórias aumentam em até 40% no outono e inverno. Cada uma destas doenças que cresce a incidência neste período pode ser causada por um tipo diferente de infecção, mas os organismos que provocam tais infecções possuem maior capacidade de transmissibilidade nas populações devido a influência climática. Na grande maioria das vezes tratam-se de outros vírus respiratórios, bactérias, fungos ou agentes alérgicos ambientais.

As causas da bronquite, por exemplo, são diversas e incluem predisposição genética, influência ambiental através de alérgenos, infecções virais, dentre outros. O mesmo ocorre no caso da Covid-19, resultado do contato com o vírus Sars-Cov-2. Já o que provoca a sinusite e a rinite são bactérias, vírus e agentes alergênicos, como, produtos voláteis, mofo e poeira. A asma, um pouco diferente, é uma inflamação recorrente que intensifica ao contato com agentes alérgicos, porém pode se exacerbar e deteriorar o seu nível de controle em contexto de infecções virais, muito comum principalmente nos adultos.

Ao falar em tratamento, cada uma destas doenças carece de cuidados específicos. “A Covid-19, de todas é a que apresenta tratamento mais complexo. Cada quadro necessita de um tipo de atendimento, que vai desde o repouso em isolamento em casa, com medicamentos de natureza sintomática, a até mesmo a assistência em unidades de terapia intensiva. Para a sinusite, no estágio mais grave, são utilizadas soluções salinas, corticoide inalatório e antibióticos específicos quando se caracteriza infecção bacteriana. A asma, por sua vez, pode ser controlada com corticoide inalatório e broncodilatadores de acordo com o estágio da condição e o perfil clínico, laboratorial e funcional de cada paciente. Para a asma, manifestada pelas crises recorrentes de chiado torácico e a rinite é preciso de ação medicamentosa específica e orientada”, explica Dr. Leonardo.

Diante da realidade de 2021, independente de qual seja a doença, há um consenso de que a prevenção através do isolamento social é a melhor forma de combate. “Evitar uma doença respiratória entre os meses de maio e setembro é difícil. A não ser que o paciente resguarde a si mesmo e siga a recomendação do isolamento social, além de medidas de etiqueta de tosse e uso de máscaras faciais. Ficando em casa e detendo pouco contato entre pessoas e com o meio externo, os riscos de adquirir qualquer uma dessas doenças é menor”, explica o médico do Hospital Felício Rocho.