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As cidades que têm o turismo como principal ferramenta econômica foram as mais afetadas durante a pandemia. Em Tiradentes, importante polo cultural e turístico de Minas Gerais, comerciantes e empresários viram seus negócios completamente parados. Foi como se o município tivesse tornado um lugar fantasma.

Esse sufoco começou em março de 2020 e durou até meados de agosto daquele ano. Em seguida, com alguns meses de flexibilização que permitiram as atividades laborais, novamente chegou mais uma fase de restrições que impediu Tiradentes de receber visitantes, a onda roxa.

Durante todo esse tempo, empresários souberam agir e articular seu negócio para o manterem ativo independente das portas abertas ou fechadas. Foi o que aconteceu com Jouber Meira, diretor-técnico da Corpo e Saúde Academia. O empreendedor confessa que chegou perto de não conseguir manter o empreendimento, mas contornou a situação e hoje opera com cerca de 50% da capacidade e oferece planos mensais e diários.

“Tive que renegociar o aluguel do meu espaço e o dono entendeu muito bem o momento que vivemos. Ainda estou pagando a compra dos equipamentos, isso também tive que renegociar. Tenho duas funcionárias, que na verdade são parceiras e fizemos um acordo sobre os salários. Foi muito, muito ruim os momentos que passei durante os fechamentos”, conta o empresário.

Exemplos como o Jouber são comuns em Tiradentes, mas não é por isso que o otimismo deixou a cidade. “Se não houver mais fechamento, eu vejo 2021 como o ano da sobrevivência. Quem conseguir manter seu negócio chegará em 2022 e sairá do sufoco que estamos vivendo. Espero que consigamos vacinar a todos, assim as pessoas retornarão à normalidade as suas atividades diárias”.

Um caso similar é o da empresária Elisa Maria Rezende de Souza, proprietária da pousada Vivenda. No período no qual estive fechada, durante o ano passado, a casa passou por diversos treinamentos e adequações e recebeu visitas da equipe da prefeitura municipal, orientando e verificado se as exigências estavam sendo cumpridas até a obtenção do selo “Estabelecimento Seguro”. Aprendizado que ficou para depois da onda roxa.

A retomada no restaurante Sabor Imperial (foto: divulgação).

“Nessa reabertura redobramos os cuidados e estamos focando no atendimento personalizado, atendendo cada hóspede em sua necessidade, informando antes da chegada diferentes opções de passeios e atividades para que consigam se programar e antecipar reservas. Enviamos também os protocolos adotados, incentivando o turismo consciente”, conta a empresária.

Já o restaurante Sabor Imperial, especializado em pizzas, burguers e esfirras, a dificuldade foi arcar com os custos operacionais. Uma vez com as portas fechadas, Ricardo Buzanin, proprietário da casa e chef de cozinha, conta que teve inadimplência e precisou fazer corte de equipe. “Mesmo podendo trabalhar com delivery e retirada no balcão, tivemos uma grande perda de clientes pela falta do giro econômico. Lembrando que Tiradentes tem sua economia baseada no turismo”, conta o empresário.

“Nós da área da alimentação tivemos que seguir os protocolos de higiene e distanciamento exigidos pelo Minas Consciente, como qualquer outro empreendimento. Assim colocamos a disposição de nossos clientes todos os recursos para uma higienização e sua segurança. Esterilização geral de nosso salão e utensílios, álcool em gel disponível em todo o estabelecimento, higienização dos banheiros de hora em hora e nossos colaboradores usando todos os EPIs necessários para sua segurança e de nossos clientes”, esclarece Ricardo.

Otimista, Ricardo ainda conta que a expectativa com a reabertura é de volta a um patamar parecido com o que tínhamos antes da pandemia. “Apesar das restrições de distanciamento social e todos os protocolos exigidos, nós temos a convicção que podemos atingir um faturamento positivo. Assim, voltar com as atividades laborais e fomentar a economia de Tiradentes, dando novamente a oportunidade de se reestabelecer e promover novamente a disposição de termos novas contratações e assim fomentar nossa economia de uma maneira segura”.

Tiradentes está entre os dez municípios reconhecidos internacionalmente como destino seguro para os viajantes ao receber o selo Safe Travels, emitido pelo Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC). Essa qualificação é um retrato da própria consciência de seus empresários. “Mantendo os cuidados necessários poderemos atender a demanda crescente de turistas que buscam uma experiência que inclua arte, cultura, gastronomia, compras e lazer. Com todas essas opções e considerando a localização geográfica privilegiada de nossa cidade, próxima a importantes centros, a expectativa é de um mercado bastante aquecido para os próximos meses”, finaliza Elisa.

Em vista deste cenário, representantes do comércio da cidade estão se empenhando em ações e atividades para incentivar os turistas a se cuidarem durante a permanência. Além disto, o grupo está distribuindo máscaras e orientando os visitantes a seguirem os protocolos estabelecidos pelo Minas Consciente.

A campanha já arrecadou cerca de 500 máscaras (foto: divulgação/ASSET)

“Com o fim da onda roxa e o retorno das atividades comerciais, Tiradentes começou a receber novamente os turistas. Para poder conscientizar os frequentadores do centro histórico, um grupo de empresários, denominados pelo Sustentabilidade Tiradentes, com apoio da prefeitura e da Associação Empresarial de Tiradentes, implementou uma campanha de fiscalização e conscientização do uso de máscara para as pessoas que utilizam dos espaços”, esclarece Guilherme Carvalho, representante da Associação Empresarial de Tiradentes.

Até o momento, a ação já doou mais de 500 máscaras para turistas. Esse esforço coletivo é mais uma maneira para manter Tiradentes entre os destinos como um dos destinos turísticos mais seguros de Minas Gerais. Fato certificado pelo último boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG).

Desde o início da pandemia até o dia 20 de maio de 2021, segundo o documento, foram 382 casos de Covid-19 na cidade e 14 óbitos. No boletim também consta que 1.713 pessoas foram vacinadas com a primeira dose de alguma das vacinas contra a doença e 737 pessoas foram vacinadas com a segunda dose.