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O Apito Final que Ninguém Ouve: O Lado Sangrento dos Dias de Jogos.

As ruas estão enfeitadas e o comércio vibra com os jogos da Copa do Mundo. Mas, por trás do clima de festa, esconde-se um pavor silencioso. Estatísticas provam o que a realidade das periferias e condomínios de luxo confirma: dias de jogos e fins de semana são os períodos mais perigosos para as mulheres. O sujeito consome álcool em excesso, perde o filtro moral e desconta a frustração ou a euforia na companheira e nos filhos. O que deveria ser celebração vira desespero.
Eu conheço esse medo. Já fui casada com um homem que bebia e confesso: quando a sexta-feira chegava, eu ficava apavorada. Sabia que enfrentaria dias de agressões, humilhações e vexames. Suas palavras me faziam sentir um lixo e, cruelmente, a psicologia do abuso me fazia crer que a culpada era eu. Fui traída com amantes pagas com o meu próprio dinheiro. O cansaço mental mina a nossa identidade e adoece o corpo. A dor foi tão devastadora que tentei o suicídio. Não era falta de Deus; era um vazio que dilacerava a alma, uma prisão sem grades onde você deixa de existir.
Demorou, mas eu desisti de um casamento de 25 anos. Hoje durmo em paz. Mas fico pensando: eu sou uma mulher instruída, empoderada e tive apoio médico e psicológico. Mesmo assim, quase fui derrotada. Como fazem as mulheres que não têm suporte, recursos ou um teto para onde ir com os filhos? É por isso que os jornalistas precisam expor essa ferida e a sociedade precisa parar de normalizar a "bebida do fim de semana". Se você está vivendo esse inferno, saiba que a culpa não é sua e existe luz fora desse túnel. O silêncio não te protege. Denuncie. Busque ajuda.

Sobre a Autora: Eu, Sandra Campos, perdi meu filho de 24 anos para o suicídio. Transformei a dor em propósito e hoje sou ativista pela vida no projeto “Não te julgo, te ajudo!”, oferecendo acolhimento e escuta amiga. Não passe por esse peso sozinho. WhatsApp: (11) 94813-7799 | Instagram: @sandracamposa_